terça-feira, 21 de novembro de 2017

«Talvez possamos conversar um pouco – sobre a vida em geral» I Mário Cesariny



Mário Cesariny — Encontros XI
Fundação Cupertino de Miranda — Vila Nova de Famalicão
23, 24 e 25 de Novembro de 2017

Apresentação de 
Um Rio à Beira do Rio — Cartas para Frida e Laurens Vancrevel
por Frida e Laurens Vancrevel, Manuel Rosa e Perfecto E. Cuadrado

Pequeno Auditório, 25 de Novembro de 2017, sábado, às 15h45.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

«O livro de Eiras é estonteante, delicioso e altamente estimulante.» I Pedro Proença


«Um livro excepcional, composto inteiramente de citações, e onde ao trabalho de montagem é soberano e exemplar. Pedro Eiras fez exemplarmente o que não se tem coragem de fazer. É um ensaio poema em todos os sentidos. Os romanos faziam sumários ou geriam citações. Pedro Lombardo constituiu um livro canónico de citações a partir do qual os teólogos faziam comentários. Benjamin criou o seu Florilégio nas Arcades. Norman O. Brown publicou dois livros de citações e paráfrases sobre temas psicanalíticos. Cage criou poemas a partir de citações colhidas aleatoriamente em livros. Lembro-me que nos finais dos anos 70, em imitação dos Fragmentos de Um Discurso Amoroso de Barthes, teses, pequenos ensaios e artigos, abundavam em montagens. O simulacionismo nas artes nos anos 80 e já neste milénio a Conceptual poetry introduziram formas de apropriação e de recontextualização de textos e imagens. Penso também nas pinturas de Pedro Portugal e no seu filme Arte, como um ensaio visual parecido com o trabalho de Eiras. Ou as recentes pinturas-textos de Eduardo Batarda. O livro de Eiras é estonteante, delicioso e altamente estimulante. Sei que não estou a dizer nada de concreto.»

Pedro Proença, in facebook, 19 de Novembro de 2017.

domingo, 19 de novembro de 2017

Faz hoje 75 anos



«Num entardecer de Novembro do ano de 1942, o judeu polaco Bruno Schulz (n. 1893), pintor, artista gráfico, escritor e crítico literário, foi alvejado com duas balas na cabeça por um oficial da Gestapo numa rua do gueto da sua cidade natal, Drohobycz (hoje é parte da Ucrânia).»

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Ana Hatherly: Território Anagramático

Ana Hatherly, sem título, 8,9x13,2 cm

ANA HATHERLY: TERRITÓRIO ANAGRAMÁTICO

Curadoria: João Silvério

Inauguração: 17 de Novembro de 2017 às 18.00 horas
Exposição: até ao dia 13 de Janeiro de 2018


FUNDAÇÃO CARMONA E COSTA
Edifício Soeiro Pereira Gomes
Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1 – 6º D — 1600-196 Lisboa

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Preceptores – Gabrielle de Bergerac seguido de O Discípulo I Henry James


Preceptores – Gabrielle de Bergerac seguido de O Discípulo
Henry James

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-13-6

Edição: Outubro de 2017
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 200



Em tempos que não exigiam aos mundos do trabalho e do êxito social um certificado comprovador de estudos académicos, de bom-tom era mostrar que se dispensavam as más convivências do ensino público, fazendo tudo passar-se em ambientes domésticos e com mestres privativos. Nasceu assim o preceptor.


O preceptor dos antigos gregos e latinos era em geral um escravo liberto com conhecimentos suficientes para aproximar os jovens das suas letras e da sua erudição. A Idade Média, cheia de homens religiosos, preferiu neste papel os capelães. Mas a Idade de Ouro do preceptor foi a época do Renascimento. Havia, quanto a artes e a ciências, uma vontade colectiva de chegar mais alto, dando a estes mestres de casa rica um imprescindível papel. Começam depois as opiniões a dividir-se. Rousseau, que se estendeu sobre este tema no seu Émile ou de l’éducation de 1762, preconizou que era preferível o mestre «de cabeça bem formada ao de cabeça bem cheia» e, a exigirem-se ambas as coisas, houvesse mais sobre costumes e entendimento do que ciência. Mas seria preferível tudo isto sem um preceptor.
[…]
«Gabrielle de Bergerac» conta uma história escrita por um Henry James com vinte e seis anos de idade; ou seja, da época em que ele se resolvia, perturbado por algumas hesitações, a dar à escrita um papel que a faria surgir como sua ocupação central. […] Não obstante este lugar muito do início da sua carreira literária, «Gabrielle de Bergerac» surge com uma característica que viria a tornar-se persistente ao longo de toda a sua obra, ou seja, a narrativa contada a partir de um ponto de vista associado a uma das suas personagens.
[…]
Esta história dos começos do autor Henry James também nos mostra a sua preferida criança complexa (muitas vezes mais complexa do que os adultos da sua convivência) a primeira entre as que ele viria a criar em The Turn of the Screw, What Maisie knew ou no conto «O Discípulo» que integra este volume; crianças abandonadas pela indiferença paterna e que a outros distribuem o papel de personagens centrais da sua vida – aquelas que muitos estudiosos da obra de James reconhecem como uma inequívoca referência autobiográfica. […]
[Aníbal Fernandes]

O Cântico dos Cânticos I Ernest Renan


O Cântico dos Cânticos – Traduzido do hebreu, com um estudo sobre o plano, a idade e o carácter do poema
Ernest Renan

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8566-12-6

Edição: Outubro 2017
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 176



O mais antigo grito da literatura que em voz feminina reivindica a liberdade sexual da mulher.


A meio do Velho Testamento, entre a sabedoria perplexa do «Eclesiastes» e a boa nova aos pobres derramada no «Livro de Isaías», a autoridade de um versículo faz deste Salomão erótico o poeta da grande surpresa profana – pese embora esta evidência às retóricas da interpretação aconselhada; do «Cântico dos Cânticos», chamado assim porque talvez melhor momento entre os hinos ao amor físico saídos da velha literatura hebraica, e que é o incómodo, o indisfarçável embaraço cristão nas águas da espiritualidade bíblica; colecção de metáforas sobre a gramática dos sentidos e com potencialidades de interpretação que chegam a uma inesperada licença. Na verdade, até onde pode levar a redução a realismo das palavras de uma apaixonada que acha o fruto do seu amado «doce ao paladar», o incita a «penetrar no seu jardim e comer dos seus belos frutos», a «beber o mosto das suas romãs», ou vê os dedos da sua própria mão molhados pela «mirra líquida que banha o ferrolho»?
[…]
A relação de Ernest Renan com o «Cântico» não prolonga a veia destas intenções poéticas. Para as palavras bíblicas do «Cântico» Renan quer um palco; quer actores; quer um libelo contra a escravatura dos haréns e recuperar o mais antigo grito da literatura que em voz feminina reivindica a liberdade sexual da mulher.
[Aníbal Fernandes]


Ernest Renan nasceu em Tréguier, Bretanha, no dia 27 de Fevereiro de 1823. Escreveu sobre livros do Antigo Testamento, assumindo o papel de implacável filólogo mas evitando sempre posições demasiado radicais. Le cantique des cantiques é de 1860. La vie de Jésus é o ponto alto da sua carreira de escritor e um dos grandes acontecimentos literários do século XIX. Aí recusa o Jesus divino, restituindo-o à sua dimensão humana. Escritor controverso, dividiu e extremou opiniões mas acabou por ser reconhecido, no seu país, como importante figura nacional. Foi professor das línguas hebraica, caldaica e siríaca no Collège de France, de onde foi suspenso devido às suas ideias. Readmitido mais tarde, ascendeu à direcção deste estabelecimento de ensino e teve direito a um lugar na Academia Francesa. Morreu em Paris no dia 2 de Outubro de 1892.