quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Histórias Aquáticas I Joseph Conrad

Histórias Aquáticas
Joseph Conrad

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-08-2

Edição: Setembro de 2016

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 160



A água
cenário para uma intimidade de homens
língua vigiada pela indevassável floresta
força para um combate difícil.

Juntam-se neste livro três textos dominados pelo elemento aquático, correspondendo cada um deles a uma forma específica, reconhecível como característica no relacionamento literário de Joseph Conrad com água: – a água não mais do que cenário a rodear o navio, e a fazer dele uma ilha onde prevalece uma intimidade de homens com leis próprias, distante do mundo dirigido pelas leis da terra («O Parceiro Secreto»); o mar força hostil, que pede ao marinheiro a sua luta e tudo faz para não ser vencido num combate fácil («Mocidade»); entre estes dois a estreita língua de água de um rio, de um lago ou de uma laguna onde o homem sente próxima de si uma presença de terra, sem conseguir mais do que imaginá-la atrás de um mistério de espessas cortinas, as do seu indomável esplendor vegetal («A Laguna»). [Aníbal Fernandes]

«Devia haver no ar um brilho que nos dificultava a visão, porque o meu olhar errante só no momento em que o sol nos deixou descobriu qualquer coisa para lá da mais alta crista da ilhota principal do grupo, que pôs longe a solenidade de uma perfeita solidão. A maré de trevas rebentava com destreza; e um enxame de estrelas surgiu com rapidez tropical acima da terra escurecida, o que me fez retardar ali um pouco com a mão pousada ao de leve na balaustrada do meu navio, como no ombro de um amigo de confiança. Mas ao sentirmos toda a multidão de corpos celestes a olhar lá de cima para nós, ficava afastada de vez a sensação de conforto dessa apaziguadora comunhão.» [Joseph Conrad]


Joseph Conrad nasceu em 3 de Dezembro de 1857, numa região da Polónia anexada pela Rússia (actual Ucrânia); os pais eram nacionalistas polacos, expulsos do país em 1862. Aos vinte e um anos, em Inglaterra, decide-se pela marinha mercante. Em 1886 é cidadão britânico e, passados vinte anos de mar (Extremo Oriente, Congo, América do Sul), torna-se escritor – em inglês. Faleceu em 3 de Agosto de 1924.

Memórias Íntimas e Confissões de um Pecador Justificado I James Hogg

Memórias Íntimas e Confissões de um Pecador Justificado
James Hogg

Tradução e introdução de José Domingos Morais

ISBN: 978-989-8833-11-2

Edição: Setembro de 2016

Preço: 22,64 euros | PVP: 24 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 320



Uma feroz e profunda parábola sobre
o fanatismo.




«Como escrevo de memória, não me recordo de nada mais acontecido nestes primeiros dias que valha a pena ser contado. Que fui um grande e abstruso pecador, isso confesso, mas guardo ainda a esperança de vir a ser perdoado, pois nunca pequei por questões de princípio, mas por acidente e, nessas ocasiões, sempre tentei arrepender-me desses pecados aos magotes, pois a um e um era impossível. É certo que os meus esforços nem sempre eram bem sucedidos, mas isso não dependia de mim. A graça do arrependimento era-me recusada e assim, não me considerava responsável por essas faltas. Por outro lado, havia muitos dos pecados mais mortais que eu nunca cometera, pois receava aqueles que na Revelação são designados por pecados que implicam a exclusão, dos quais constantemente me acautelava. Em particular consegui desprezar, senão mesmo execrar, a beleza das mulheres, considerando-a a maior armadilha a que a humanidade está submetida e, embora os jovens, tanto rapazes como raparigas e até as velhas (entre as quais a minha mãe) me acusassem de ser um miserável sem vergonha, gabava-me e glorificava-me por essa minha façanha. Ainda hoje me sinto agradecido por ter escapado ileso à mais perigosa de todas as armadilhas.» [James Hogg]

James Hogg [Escócia, 1770-1835], poeta, romancista e ensaísta. Na sua juventude foi trabalhador agrícola e pastor, por isso a sua educação foi maioritariamente autodidacta, através da leitura. Foi amigo de grandes escritores da sua época, como Sir Walter Scott, de quem mais tarde escreveu uma biografia não autorizada. Memórias Íntimas e Confissões de um Pecador Justificado, de 1824, é o seu romance mais conhecido. Muito criticada na altura da sua publicação, acusada de ser um «grave atentado contra a religião e um insulto ao gosto moderno», a obra permaneceu na sombra até 1947, quando foi republicada com um posfácio entusiástico de André Gide. Outras obras de James Hogg incluem o longo poema The Queen's Wake (1813), a colecção de canções Jacobite Reliques (1819), e os dois romances The Three Perils of Man (1822) e The Three Perils of Woman (1823).

A Imagem-Movimento. Cinema 1 I Gilles Deleuze


A Imagem-Movimento. Cinema 1
Gilles Deleuze

Tradução de Sousa Dias

ISBN: 978-989-8566-97-3

Edição: Setembro de 2016

Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 328



Este estudo não é uma história do cinema. É uma taxinomia, uma tentativa de classificação das imagens e dos signos. Mas este primeiro volume vai limitar-se a determinar os elementos, e mesmo assim os elementos de uma só parte da classificação.
[…]
Tratamos nesta primeira parte da imagem-movimento e das suas variedades. A imagem-tempo será objecto de uma segunda parte. Os grandes autores de cinema pareceram-nos confrontáveis não só com pintores, arquitectos e músicos mas também com pensadores. Eles pensam com imagens-movimento e com imagens-tempo, em vez de conceitos. A enorme proporção de nulidade na produção cinematográfica não é uma objecção […] não é por isso que o cinema deixa de fazer parte da história da arte e do pensamento, sob as formas autónomas insubstituíveis que esses autores souberam inventar e fazer passar apesar de tudo.

Gilles Deleuze [França, 1925-1995] é hoje internacionalmente considerado como um dos nomes maiores do pensamento contemporâneo. Michel Foucault, outra grande referência da filosofia do nosso tempo, considerava Deleuze o único verdadeiro filósofo de todo o século XX francês. E o italiano Giorgio Agamben, talvez o mais importante filósofo vivo, afirmou algures que o século XX só conheceu dois filósofos da estatura dos grandes clássicos da história da filosofia: o alemão Heidegger e, precisamente, Deleuze. A obra filosófica de Deleuze teve, já em vida do pensador, mas vem tendo entretanto cada vez mais, e por toda a parte, uma extraordinária importância não só na filosofia mas em vários outros domínios, uma vez que essa obra sistematicamente confrontou, de uma
forma sempre criativa, a filosofia com a literatura, a psicanálise, o cinema, a pintura, a ciência e a política.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Por Dentro das Imagens – Obras de cinema. Ideias do cinema I Sérgio Dias Branco


Por Dentro das Imagens – Obras de cinema. Ideias do cinema

Sérgio Dias Branco

ISBN: 978-989-8618-92-4

Edição: Junho de 2016

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 160


Estas páginas demonstram bem o que sempre me fascinou e continua a fascinar nas imagens em movimento: o modo como pedem para ser analisadas e pensadas dentro do movimento que as anima.
A primeira parte inclui análises a obras de cinema, de filmes isolados a grupos de filmes de cineastas. A segunda parte contém reflexões sobre ideias do cinema, não aquelas desenvolvidas pelos artistas, mas aquelas que emergem da história e prática do cinema e do pensamento que as tenta acompanhar. As duas partes conjugam-se, demonstrando as cisões e intersecções entre a análise fílmica e a reflexão teórica. A experiência de uma obra no presente dá lugar, mais tarde, à consideração dessa experiência passada que se torna presente. De igual modo, as ideias do cinema estão antes e depois da percepção dos filmes e da reflexão sobre eles, num permanente durante.

Sérgio Dias Branco é Professor Auxiliar de Estudos Fílmicos na Universidade de Coimbra, onde coordena os Estudos Fílmicos e da Imagem e dirige o Mestrado em Estudos Artísticos. Integra o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra, colabora com o Instituto de Filosofia da Nova (IFILNOVA) e é membro convidado do grupo de análise fílmica da Universidade de Oxford, «The Magnifying Class». Leccionou na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade de Kent, onde lhe foi atribuído o grau de doutor em Estudos Fílmicos. É co-editor das revistas Cinema: Revista de Filosofia e da Imagem em Movimento (http://cjpmi.ifl.pt/) e Conversations: The Journal of Cavellian Studies (https://uottawa.scholars portal.info/ojs/index.php/conversations). O seu trabalho de investigação sobre a estética das obras da imagem em movimento, nas suas relações com a filosofia, a história, o marxismo, e a religião tem sido apresentado em universidades portuguesas e estrangeiras e publicado em revistas com arbitragem científica como a Fata Morgana e a L’Atalante.
Mais informações em: www.sdiasbranco.net

Da Crítica I Andreas Arndt, Christian Berner, Judith Butler, João Pedro Cachopo, Bruno C. Duarte, Rodolphe Gasché, Diogo Sardinha, Márcio Seligmann-Silva, Denis Thouard


Da Crítica
Andreas Arndt, Christian Berner, Judith Butler, João Pedro Cachopo, Bruno C. Duarte, Rodolphe Gasché, Diogo Sardinha, Márcio Seligmann-Silva, Denis Thouard

Edição e organização de Bruno C. Duarte

ISBN: 978-989-8834-02-7

Edição: Junho de 2016

Preço: 21,70 euros | PVP: 23 euros
Formato: 16 × 22 cm [brochado]
Número de páginas: 272




ENSAIOS SOBRE 
WALTER BENJAMIN, THEODOR W. ADORNO, MICHEL FOUCAULT, 
IMMANUEL KANT, FRIEDRICH SCHLEGEL, FRIEDRICH SCHLEIERMACHER



A nossa época é a verdadeira época da crítica, à qual tudo tem de submeter-se. A religião, pela sua santidade, e a legislação, pela sua majestade, querem geralmente esquivar-se a ela. Mas desse modo provocam contra si mesmas uma justificada desconfiança, e não podem reivindicar o sincero respeito que a razão concede apenas aos que podem suportar o seu livre e público exame. [Immanuel Kant]

[…] e o que devo dizer em primeiro lugar a propósito desta época? A mesma época em que também nós temos a honra de viver; a época que, para tudo dizer numa palavra, merece o modesto mas significativo nome de época crítica, de modo que muito em breve tudo será criticado, com a excepção da própria época, e tudo se tornará sempre mais crítico, e aos artistas ser-lhes-á permitido nutrir a justa esperança de que a humanidade se eleve enfim em massa e aprenda a ler. [Friedrich Schlegel]

A palavra crítica exorta à crítica, a palavra faculdade do juízo ao julgar; nenhuma delas é dada ou arrendada a quem quer que seja. [J.G. Herder]

A crítica nem sempre dá provas do seu olhar aguçado; ignora frequentemente as manifestações mais insignificantes. [Karl Kraus]

Há uma diferença entre dar-se conta da omnipresença (soletrada ou implícita) da noção de crítica no pensamento «contemporâneo» – dito assim, mais uma vez, por falta de um melhor ou de um pior termo – e tentar apreender essa noção como um conceito unido a si mesmo. Inversamente, há uma diferença entre procurar a crítica e dar de caras com ela. É precisamente na tensão trazida por essa diferença que se torna necessário encontrar a coragem ou a imprudência de enfrentar a questão: que experiência é possível ter da «própria crítica»? É nesse ponto que é preciso recuar, por um instante que seja, e, antes de enunciar ou lançar qualquer juízo sobre a relevância e a necessidade, isto é, sobre o presente e sobre a presença da crítica, tentar encontrar ou reencontrar a percepção que é ainda possível ter desse conceito por si mesmo e junto a si mesmo, na sua individualidade.

É muito provável que o problema central da crítica não seja, em primeira instância, o de definir qual o seu conteúdo, a sua função ou a sua finalidade, mas sim o de discernir o limite do confronto com a composição e decomposição formais do seu núcleo. De uma forma ou de outra, a constituição do conceito enquanto conceito regressa continuamente do sentido partitivo e reflexivo do nome, descobre na crítica algo que volta da crítica – e aí reside a sua maior dificuldade.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

«Um Beijo Dado Mais Tarde» na Livraria Sistema Solar, no Chiado (Lisboa)

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Um Beijo Dado Mais Tarde 
regressa agora em nova forma, acompanhado de um caderno com fotografias de Duarte Belo 
que documentam os principais objectos e figuras deste grande livro dos objectos, 
e com posfácio de João Barrento. 

Mais informação em 

Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a integração das artes



Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a integração das artes
Júlio Pomar

Textos de Sara Antónia Matos, Catarina Rosendo, Júlio Pomar

ISBN: 978-989-8834-31-7

Edição: Julho de 2016

Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 17 × 21 cm [brochado]
Número de páginas: 276

[Em colaboração com os Cadernos do Atelier-Museu Júlio Pomar]


Catálogo publicado por ocasião da exposição «Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a integração das artes», realizada no Atelier-Museu Júlio Pomar, com curadoria de Catarina Rosendo, de 5 de Maio de 2015 a 8 de Setembro de 2016.

– «Um motivo decorativo, apenas…»
– Não é verdade que isto se ouve muitas vezes? Ora na boca de um arquitecto, ao solicitar a colaboração do pintor ou do escultor, ora na de um destes; ou com um arzinho escondido de desculpa, ou com as maviosidades do cigano que impinge burro velho. De passagem se diga que é possível também ouvi-lo dito com inocência, dado que a inocência em matéria de arte é muito mais corrente do que se pinta.
De passo em falso a passo em falso, tem-se consolidado uma concepção empobrecida do decorativo. Cortaram-se à garçonne as tranças de estafe: fazer «moderno» passou a ser pôr 10 onde dantes se punha 100, e usar à vontade de uns tantos cosméticos, sem cuidar primeiro de lavar a cara.
Quantas santas almas puderam assim encontrar o descanso!
E deste modo, «decorativo» foi significando arrebique, boneco de estampar, farfalhice obrigatoriamente inexpressiva.
[…]
Eu creio que, entre nós, se tem empurrado a obra decorativa, voluntária ou involuntariamente, para a categoria de Parque Mayer das artes. À parte raras tentativas honestas, que vemos? Um coro mal afinado em que se juntam o conformismo, o delicodoce, as soluções mil vezes gastas. O que faz com que tantos vão interpretando o decorativo como uma espécie de doença vergonhosa, e não, afinal, como a expressão, de todas a mais viva, da arte do nosso tempo. [Júlio Pomar]