terça-feira, 16 de maio de 2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

Nova Safo – Tragédia estranha I Visconde de Vila-Moura


Nova Safo – Tragédia estranha


Apresentação de Aníbal Fernandes


ISBN: 978-989-8833-17-4

Edição: Março de 2017

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5x20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 216






Homossexualidades feminina e masculina, 
necrofilia, nanofilia
o aristocrático escândalo de 1912.





Decadentista convicto, [o Visconde de Vila-Moura] surpreendia-se quando lhe chamavam romântico: Eu fui, algures, apodado de romântico, eu que ousei um dos mais estranhos e difíceis capítulos da vida humana; a loucura sensual na Nova Safo. […]
Maria Peregrina, a Nova Safo do romance, tenta argumentar e defender a sua razão sensual de existir, a sexualidade «extravagante» que é conflito dolorosíssimo entre o instinto próprio e a mesquinhez alheia, esse conflito que não resulta da acuidade da inteligência, mas de um mistério emocional; fá-lo sobretudo na longa «Elegia da Morte» que conclui o livro.
Maria Peregrina permite-se conceder a si própria o direito a toda a perversão, se perversão é amar a parte bela da matéria. E não se trata de uma atitude onde não caiba Deus: Creio no Deus de todos os cultos, embora aborreça a liturgia que o oculta.
A minha bondade aceita em pé de igualdade, lê-se na «Elegia», o amor idealista de Santa Teresa de Jesus – a mística, os impulsos bestiais de Calígula e as ordens alucinadas de Nero, determinando-se em sensualidade ou incendiando Roma para mergulhar a alma sublimemente perversa nas labaredas de uma civilização a arder. Uma experiência de vida moldada por todas as liberdades sensuais foi o que lhe acurou os vícios; sugeriu-lhe a defesa íntegra dos seus actos e criou, paralelamente a um niilismo de sentido, uma Filosofia que prende a uma Liberdade amoral que vai além da outra – a que peja os Códigos, as Bíblias. Maria Peregrina não cabe dentro do mundo, e decide: vou ser o Éter que me sobe à nova Vida.
Flaubert afirmou que era a Madame Bovary; o visconde de Vila-Moura poderia ter afirmado: eu sou Maria Peregrina. 
[Aníbal Fernandes]


Bento de Oliveira Cardoso e Castro Guedes de Carvalho Lobo [Baião, Grilo, 1877-Porto, 1935] foi o primeiro e único Visconde de Vila-Moura. Formado em Direito, foi político, intelectual e escritor decadentista, que exerceu, entre outras funções, o cargo de deputado às Cortes da Monarquia Constitucional Portuguesa. Correspondente de Fernando Pessoa, foi cronista da revista A Águia e autor de uma vasta e fecunda obra como romancista, novelista, contista, cronista e crítico literário.

A Costa de Falesá I Robert Louis Stevenson



A Costa de Falesá


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes


ISBN: 978-989-8833-16-7

Edição: Março de 2017

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5x20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 144




Uma história que me trespassou
como uma bala,
num momento de pânico
quando me senti sozinho nesta selva mágica.



Logo aos primeiros contactos com a realidade dos Mares do Sul, Robert Louis Stevenson pressentiu que ia escrever uma obra que os teria por cenário e se destacaria de todas as vozes até então surgidas na literatura com a mesma inspiração. Uma sua carta do final de 1889 refere-se a este projecto: Tenho agora na mente o desenho do meu livro. Se eu conseguir chegar até ao seu fim, poucas obras haverá no mundo com tão grande ambição. 
[Aníbal Fernandes]


«Falesá bem podia ser o Fiddler’s Green, se tal lugar existir, levando-nos a maior das razões a lamentar se isso não acontecer! Era bom pisar a erva, levantar os olhos para as montanhas verdes, ver os homens com as suas grinaldas verdes e as mulheres com as suas roupas de intensos vermelhos e azuis. Caminhámos ambos com prazer debaixo do sol forte e à sombra fresca; e todas as crianças do lugar corriam atrás de nós com cabeças rapadas e corpos morenos, soltando na nossa esteira uma espécie de gritos leves, parecidos com os de pequenos frangos.
– A propósito – disse Case – temos de arranjar-lhe uma mulher.
– Pois sim – disse eu. – Já nem disso me lembrava.»
[Robert Louis Stevenson, A Costa de Falesá]


Robert Louis Stevenson (Edimburgo, 1850-Vailima, Ilhas Samoa, 1894) foi poeta, ensaísta e romancista; autor, entre outros livros célebres, de O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde e de A Ilha do Tesouro.


Terra Incógnita I Inez Teixeira


Terra Incógnita


Texto de João Silvério

ISBN: 978-989-8834-64-5

Edição: Abril de 2017

Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 21x26 cm [a cores]
Número de páginas: 88


Edição bilingue: português-inglês

[Em colaboração com a Fundação Carmona e Costa]





Livro publicado por ocasião da exposição Terra Incógnita, de Inez Teixeira, com curadoria de João Silvério, realizada na Fundação Portuguesa das Comunicações entre 30 de Março e 13 de Maio de 2017.

[…] o desenho tem uma importância muito forte na obra da artista, como uma estrutura que lhe permite a procura de outras experiências, mesmo na sua proximidade com a literatura e com outras preocupações que a sua pintura virá a revelar. Principalmente nesta exposição, que se intitula Terra Incógnita, e na qual trabalha, sobretudo, a estrutura de imagens pictóricas que se constituem como mapas indecifráveis, mas também como campos visuais que nos são próximos em termos estéticos, e nos quais a geografia encontra uma correspondência com o seu imaginário enquanto processo que se densifica e acumula, tal como nos desenhos. Ou na cartografia dessa terra desconhecida que pode ser o cosmos ou o mar, como metáfora da transformação eterna, e como as paisagens e as caveiras, uma espécie de abóbadas siderais que na sua antropomorfia dão forma ao rosto humano e ao seu pensamento preexistente que aí residiu como um universo infinito.
Essa «Terra Incógnita», que outrora denominava os sítios e os lugares que não sendo conhecidos pelos humanos constavam desse mapa, pode ser lida como a confirmação de uma ausência que se presentificava como limite empírico, embora absolutamente desconhecido em termos racionais. Mas esse mapa improvável abria o espaço para antever um outro mapa, este mais abstracto e sem um código reconhecível, que nesta exposição pode ser interpretado como o perímetro intangível que nos dá a possibilidade de transpor em cada obra essa negação de território fechado que nos surpreende e nos retém o olhar. [João Silvério]

Inez Teixeira (1965) vive e trabalha em Lisboa. É licenciada em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa. Participou, em 2010 e 2014, em residências artísticas na Cité Internationale des Arts Paris, Institut Français (com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian). A sua obra tem sido representada em exposições individuais e colectivas desde 1992 e em diversas colecções públicas portuguesas.


Quino – 60 Anos de Humor


Quino – 60 Anos de Humor

Texto de José Pablo Feinmann
Coordenação editorial de António Antunes

ISBN: 978-989-8834-68-3

Edição: Abril de 2017

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 16,5x22 cm [encadernado]
Número de páginas: 120

Edição bilingue: português-inglês

[em colaboração com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira]


Livro publicado por ocasião da exposição Quino 60 anos de humor, do artista vencedor da 18.ª edição da Cartoon Xira e apresentada entre 22 de Abril e 28 de Maio de 2017 no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira.

O humor de Quino é antiutópico. Este mundo não lhe permite alentar qualquer esperança. Ele não pode oferecer vidros coloridos. Que o façam os outros. Ele expõe a impossibilidade do homem no mundo mercantilizado, mecanizado, caótico, doente, egoísta, competitivo e frio do capitalismo. As suas notas também atingem a massificação e o autoritarismo dos regimes coletivistas. […]
Se o mundo é assim como Quino diz que é, é preciso fazer algo. E aqui reside a glória de um grande artista: mostrar-nos o horror do dia a dia, o intolerável do que é aceite, o pesadelo que habita o sonho, a impossibilidade – neste mundo já decidido – de tudo o que podemos amar. Quino não desenha utopias. Não acredita – suponho – que o futuro trará certamente algo de melhor. No entanto, o impiedoso presente que desenha só nos pode levar a querer mudá-lo. Toda a mudança implica imaginar um futuro diferente. Quino impele-nos a isso: ao futuro, à coragem, às nossas mais verdadeiras potencialidades. Assim, e não paradoxalmente, a sua negrura, o seu impiedoso ceticismo transforma-se em prática. [José Pablo Feinmann]

Quino [Mendoza, Argentina, 1932] matricula-se na Escola de Belas-Artes com 13 anos e pouco tempo depois abandona-a para se tornar autor de banda desenhada. Aos 18 anos muda-se para a cidade de Buenos Aires. A sua famosa tira Mafalda nasce em 1964 e, a partir de 1965, passa a ser publicada no jornal El Mundo e, depois, na revista Siete Días Ilustrados.
Com enorme sucesso, tanto ao nível nacional como internacional, Mafalda continuaria a ser publicada até Junho de 1973, quando Quino decide deixar de a desenhar. Quino continua, no entanto, a sua actividade como autor de banda desenhada. Por sua vez, Mafalda continuou a ser reimpressa em mais de trinta países, chegando a converter-se na tira latino-americana mais vendida no mundo. 2014 foi um ano especial, uma vez que Quino comemorou 60 anos no humor gráfico e Mafalda celebrou o seu 50.º aniversário. Nesse mesmo ano foi galardoado em Espanha com o Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades e abriu a 40.ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires.