quarta-feira, 13 de julho de 2016

O Fogo-Fátuo I Drieu la Rochelle

O Fogo-Fátuo
Drieu la Rochelle

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-10-5

Edição: Julho de 2016

Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 160


O suicídio
vingança antiga
eterna
o gesto do vencido
que ao vencedor
atira o seu sangue.


O Fogo-Fátuo imagina Jacques Rigaut nos seus últimos dias de vida, através de sete encontros com pessoas das suas relações que lhe fazem sentir, de diferentes formas, uma eficiente cumplicidade com o mundo, nenhuma com lugar possível entre as dúvidas e as certezas do seu percurso de homem belo mas pouco hábil no amor, de escritor falhado, de um não resistente às seduções da heroína, de um ser ferido pela incapacidade de amar e se fazer amar.
O Alain de La Rochelle atravessa as suas páginas em luta contra alguns demónios; os de uma medíocre eficiência sexual, cada vez menos desculpada perante o decréscimo dos seus atributos físicos, o do medo de um envelhecimento que lhe recuse a protecção de mulheres ricas, única forma que conhece de suportar o mundo e a vida. E por causa de tudo isto ouve-se, desde a primeira página, o estampido de um tiro final.
Será inútil querer encontrar um qualquer conteúdo político em O Fogo-Fátuo. O seu Rigaut, aqui chamado Alain, brilha e apaga-se como a chama dos pântanos na noite de Paris povoada por seres que ele não consegue prender nem chamar à sua necessidade de afecto.
A sua maior contradição – de um pequeno-burguês com supremas exigências de elegância, e do dinheiro que essa elegância necessita para se fazer mostrar numa sociedade que ele, por outro lado, despreza – fá-lo arrastar-se por uma solidão armada com espinhos interiores. Ela não lhe consente encontrar razões para viver, e apenas lhe denuncia a mentira daqueles que o rodeiam. Alain sente como única solução o suicídio, recurso dos homens com a mola roída pela ferrugem, a ferrugem do quotidiano. Eles nasceram para actuar mas retardaram a acção, e a acção volta por ricochete a atingi-los. O suicídio é um acto, o acto dos que não conseguiram levar outros até ao fim.

A obra literária [de Drieu la Rochelle, Paris, 1893-Paris, 1945] soube resistir ao limbo imposto, por decência política e patriótica, aos colaboracionistas da ocupação da França pelos nazis. Mas passado um período de nojo e temor, os editores franceses relembram-no e mantêm-no generosamente disponível nos seus catálogos; hoje ele é, sobretudo, o autor dos contos de La Comédie de Clarleroi (1934) – Marcel Arland: «Tenho-os pela sua obra-prima»; é o autor de Gilles (1939) – François Mauriac: «É um livro importante, essencial, verdadeiramente carregado com um terrível peso de sofrimento e erro.», uma das suas obras maiores e literariamente mais ambiciosa (o mais anti-semita dos romances franceses?); é o autor deste célebre O Fogo-Fátuo (1931) – Bernard Frank: «Acho-o o melhor livro de Drieu». [Aníbal Fernandes]

terça-feira, 12 de julho de 2016

Dito em Voz Alta – Entrevistas sobre literatura, isto é, sobre tudo I Manuel António Pina



Dito em Voz Alta – Entrevistas sobre literatura, isto é, sobre tudo
Manuel António Pina

Organização de Sousa Dias

ISBN: 978-989-8834-27-0

Edição: Junho de 2016

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 224


A literatura nunca deixou de ser, na minha escrita, possível, mas a palavra literária (a palavra poética ter-se-á esgotado excessivamente a convocar o ser e o mundo (a ser ser e mundo) e terá, a certa altura, caído em si, percebendo que talvez se tivesse negligenciado como instância, também, e mais modestamente, de nomeação do ser e do mundo, e experimentando então «saudades da prosa». Mas tenho, de facto, consciência de que, desde Cuidados Intensivos (ou, talvez antes, desde Farewell Happy Fields), existe na minha escrita uma espécie de reconciliação com a literatura (com a poesia), que passa tanto pela aceitação dos seus processos como da sua memória.
Um dos últimos poemas que escrevi fala das «minhas últimas palavras», aquelas que, «por cansaço, por inércia, por acaso», foram ficando, e com quem, agora, «como velhos amantes sem desejo» desfio memórias. [Manuel António Pina]

Manuel António Pina [1943, Sabugal-2012, Porto] formado em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1971, exerceu inicialmente a advocacia e foi jornalista e cronista no Jornal de Notícias até ao seu falecimento. Autor de textos para a infância e juventude e de uma obra poética das mais originais da sua geração, recebeu inúmeros prémios, entre os quais podemos destacar o Prémio Literário da Casa da Imprensa, em 1978; o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens e a Menção do Júri do Prémio Europeu Pier Paolo Vergerio da Universidade de Pádua, em 1988; o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava e o Grande Prémio de Poesia da APE/CTT, em 2005; e o Prémio Camões, em 2011.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Vem aí a EDIT!


Vem aí a EDIT!
Feira de edições organizada pela STET 

e nós vamos lá estar

2 e 3 de Julho | 15.00-21.00
Galeria Monumental / Campo Martires da Pátria, 101



quinta-feira, 9 de junho de 2016

A Maçã de Cézanne… e Eu I D.H. Lawrence


A Maçã de Cézanne… e Eu
D.H. Lawrence

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-99307-4-2

Edição: Maio de 2016

Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm

[brochado, com imagens a cores]

Número de páginas: 144




O grande esforço de Cézanne
foi empurrar para longe a maçã
e deixá-la viver a sua própria vida

Quando [Cézanne] dizia aos seus modelos: «Sejam uma maçã! Sejam uma maçã!», exprimia o que é prólogo da queda; não só a dos idealistas, tanto os jesuítas como os cristãos, mas a do colapso de toda a nossa forma de consciência substituindo-a por outra. Se o ser humano fosse essencialmente uma Maçã, como era para Cézanne, caminharíamos em direcção a um novo mundo de homens: um mundo com muito pouco para dizer, com homens que conseguiriam, apenas com o seu lado físico e uma verdadeira ausência de moral, manter-se tranquilos. Era o que Cézanne queria deles: «Sejam uma maçã!»
A partir do momento em que o modelo começasse a impor a sua personalidade e a sua «mente» passasse a ser um lugar-comum, uma moral, ele sabia muito bem que iria ver-se obrigado a pintar um lugar-comum. A única parte da personalidade que não era banal, conhecida ad nauseam e um vivo lugar-comum, era a sua maçãneidade. O corpo e até mesmo o sexo eram conhecidos até à náusea, eram o connu! connu!, a cadeia infindável da conhecida causa-efeito, a teia infinita dos odiosos lugares-comuns que a todos nos aprisionam num incomensurável tédio. [D.H. Lawrence]

Romancista, contista, poeta, ensaísta e pintor, David Herbert Lawrence é uma das grandes figuras literárias do século XX. Nascido em Eastwood, Nottinghamshire, em 1885, D.H. Lawrence estudou na Universidade de Nottingham, publicando em 1911 o seu primeiro romance, The White Peacock. Em 1915, The Rainbow, o seu quarto romance, é proibido por alegada obscenidade. Também os seus quadros são retirados de uma galeria de arte. Em 1926, já com vários romances publicados, D.H. Lawrence começa a trabalhar no que viria a ser o seu romance mais conhecido, O Amante de Lady Chatterley. Também este será proibido no Reino Unido e nos Estados Unidos, por pornografia. A partir de Junho de 1928, data em que abandonou Florença, e até à sua morte em 1930, por tuberculose, Lawrence vagueia de cidade em cidade. Trabalhará até ao fim, completando Apocalypse, livro que viria a ser publicado em 1931.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Os Nomes da Obra – Herberto Helder ou O Poema Contínuo I Rosa Maria Martelo


Os Nomes da Obra – Herberto Helder ou O Poema Contínuo
Rosa Maria Martelo

ISBN: 978-989-8834-19-5

Edição: Abril de 2016

Preço: 10,38 euros | PVP: 11 euros
Formato: 14,5 × 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 96

[em colaboração com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa]


«O filme [da alma] é uma secreta murmuração e nela participam obliquamente todas as coisas, há a memória de um crime arcaico, maternal, um baptismo no sangue múltiplo daquilo que vive para morrer, e a paixão, o vento das potências que nos extravia, braços abertos, rosto luzindo, um grito contra a parede. Vê como as folhas das árvores palpitam na claridade! Vê como a noite fecha as tuas janelas! É isto.»
No título Ou o Poema Contínuo, que Herberto Helder usou por duas vezes, a conjunção inicial relaciona-se com o nome de autor e diz-nos como ler a escrita de uma vida. Leia-se em Herberto Helder o outro nome da obra, o outro nome da «canção ininterrupta». O poeta via na escrita um processo de «nomeação física», de montagem das imagens, a invenção de uma «irrealidade objectiva». Em 2013, recuperou um texto anterior para sopesar o caminho percorrido: «cumprira-se aquilo que eu sempre desejara — uma vida subtil, unida e invisível que o fogo celular das imagens devorava. Era uma vida que absorvera o mundo e o abandonara depois, abandonara a sua realidade fragmentária. Era compacta e limpa. Gramatical».

Rosa Maria Martelo [Vila Nova de Gaia, 1957] é professora associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigadora do Grupo Intermedialidades do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, a cuja Direcção pertence. Doutorada em Literatura Portuguesa, tem privilegiado o estudo da poesia e das poéticas modernas e contemporâneas. No âmbito da Literatura Comparada e dos Estudos Interartísticos, os seus trabalhos centram-se nas relações palavra/imagem, particularmente nos diálogos da poesia moderna e contemporânea com o cinema. Algumas publicações no âmbito do ensaio: A Forma Informe — Leituras de Poesia (2010) e O Cinema da Poesia (2012).