segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A intimidade das ideias, por Filipa Melo



Um artista plástico e dois psicanalistas conversam sobre a arte, a memória e a vida. Um testemunho raro.

Vasco Araújo diz: «O mundo é feito de coisas invisíveis que quando se mostram são extraordinárias. A arte é como se fosse uma flecha que nos atiram, para nos provocar uma direcção, no sentido da observação excessiva de um objecto». A prova da afirmação é feita com sucesso em Para Grandes Solidões, Magníficos Espelhos, livro que documenta uma série de conversas entre o artista plástico e a psicanalista Carmo Sousa Lima (com vasta prática clínica, e como formadora tem orientado seminários sobre arte e psicanálise), também com a participação do psicanalista João Sousa Monteiro (co-autor de programas de rdio j﷽﷽﷽﷽﷽nteiro (co-autor de programas de rm vasta prvocar uma direç aqui no Royal, na minha frente. Passou! Ia estender a ma cádio de referência sobre psicologia e educação). Numa permuta muito pouco comum entre artistas ou intelectuais portugueses, porque delicada e generosa e não competitiva ou exibicionista, duas (depois três) sensibilidades agudíssimas e muito bem apetrechadas partilham experiências e memórias pessoais e perspectivas sobre a arte e a vida.
Através da proximidade conquistada entre os autores, abre-se também para o leitor uma janela imediata e original sobre a prática clínica e a criação artística. Vasco Araújo, na sua consistente carreira internacional tem usado diversos dispositivos e suportes (escultura, instalação, fotografia, performance, sobretudo vídeo) para desenvolver um discurso e uma poética muito singulares. A reflexão conjunta sobre algumas das suas obras ocupa uma boa parte do diálogo com Carmo Sousa Lima, mas também nestes casos o atractivo maior é o fluxo muito livre de ideias, impressões, memórias e associações.
Acompanhamos de uma hipótese teórica inovadora e das histórias, quase contos, da infância ou da experiência clínica da psicanalista às reflexões conceptuais do artista e ao posicionamento dos três intervenientes perante a estética. Para Grandes Solidões, Magníficos Espelhos desenvolve-se como um espaço de fluente observação e conhecimento dos seres e das coisas. Coisa rara hoje em dia, mostra-nos a possibilidade do encontro e da intimidade no espaço das ideias. 

Filipa Melo, Sol, 20-XII-2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Prémio de Ensaio do PEN Clube é hoje entregue a Rosa Maria Martelo


Os Prémios PEN nas áreas da Poesia, Narrativa, Ensaio e Primeira Obra, são entregues hoje, às 18:30, na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), em Lisboa.

O Prémio de Ensaio distinguiu duas obras ex-aequo, entre as quais O Cinema da Poesia, de Rosa Maria Martelo, publicada pela Documenta.

O júri foi constituído por Teresa Salema, João de Almeida Flor e António Carlos Cortez



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

LE TEMPS DES PIONNIERS — Desenho, inversões, pintura e colagem sobre fotografias, de Mário Cesariny


LE TEMPS DES PIONNIERS
Desenho, inversões, pintura e colagem sobre fotografia

Mário Cesariny

ISBN: 978-989-8566-33-1
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros 
Formato: 19x12,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 55

Com tiragem bastante limitada, este livro está disponível
nas nossas livrarias do Chiado e da Passos Manuel, em Lisboa.

Pode ainda ser encomendado directamente para a editora, através do
encomendas@sistemasolar.pt


Uma edição conjunta da Documenta com a Fundação Cupertino de Miranda

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Tiragem Especial


TIRAGEM ESPECIAL DE 100 EXEMPLARES NUMERADOS E ASSINADOS
(com fotografias a cores)

ISBN: 978-989-8566-35-5
Preço: 28,30 euros | PVP: 30 euros 



Informação sobre edição normal, disponível nas livrarias: clicar na capa.

sábado, 30 de novembro de 2013

Encontros Mário Cesariny


Hoje, às 16:00 horas, será apresentado na Fundação Cupertino de Miranda, o livro

LE TEMPS DES PIONNIERS
 Desenho, inversões, pintura e colagem sobre fotografias
de Mário Cesariny
uma edição conjunta da Documenta com a Fundação Cupertino de Miranda

Fundação Cupertino de Miranda
 Praça Dona Maria II, 4760-111 Vila Nova de Famalicão

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mário Cesariny [ Lisboa, 9/VIII/1923 - Lisboa, 26/XI/2006 ]

http://livrariasassirio.blogspot.pt/search?q=m%C3%A1rio+cesariny
 Fotografia de Perfecto Cuadrado

«Histórias da Areia», de Isabelle Eberhardt


Histórias da Areia

Isabelle Eberhardt


Selecção, tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8566-29-4
Edição: Novembro de 2013
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5x20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 160

«As mulheres de Isabelle Eberhardt [Genebra, Suíça, 1877 – Aïn Séfra, Algéria, 1904] sofrem com um desejo de liberdade no amor que a cultura islâmica proíbe, vivem amores nómadas dramáticos quando não transcendidos pela fé; os seus homens europeus sofrem o feitiço oculto no infinito das dunas e na solidão reveladora do “outro”, místico e esotérico, transcendido com o esplendor magnífico dos elementos, vivem embriagados por um amor que opõe o Oriente e o Ocidente, e por ambos reprovado. Muitos traços destas personagens masculinas e femininas podem ser-lhe atribuídos,
podem ser consideradas habitantes dos painéis de uma fragmentada e romanceada autobiografia raras vezes decidida a assumir-se com um explícito “eu”. Isabelle Eberhardt, com uma prosa generosamente adjectivada que o calor do seu olhar exige, apaixonada por ruídos, cheiros, cores, sabores, ainda assim não deixa de fazer pesar nesta festa e nesta imemorial beleza uma presença de morte. Da morte que nunca a assustou, a benfazeja, a que inspira aos muçulmanos esta saudação: “Faça-te Deus morrer jovem.” Ela própria reconhece-o nesta frase: “A morte sempre me surgiu com a forma atraente da sua imensa melancolia.”
[…]
“Bebia de mais”, diz Robert Randau. “Era a única coisa que contrastava com a sua profunda aceitação da fé muçulmana. Sim, tinha a religiosidade intensa dos místicos e dos mártires. Vivia como um homem, como um rapaz, porque bem mais parecia rapaz do que rapariga. Mas era, com o seu ar de hermafrodita, apaixonada e sensual embora diferente de uma mulher. Ainda por cima com o peito completamente plano. Tinha pequenas vaidades, embora bem mais fossem as de um árabe elegante. Trazia as belas mãos sempre enfeitadas com henna, a roupa sempre imaculada, e quando tinha dinheiro punha desses perfumes muito intensos que os árabes adoram.”»

da Apresentação de Aníbal Fernandes

«Billy Budd, Marinheiro», de Herman Melville



Billy Budd, Marinheiro

Herman Melville


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes


ISBN: 978-989-8566-32-4
Edição: Novembro de 2013
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5×20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 160

«Herman Melville [Nova Iorque, EUA, 1819 – Nova Iorque, EUA, 1891] foi um exímio manipulador de significados ocultos; e serviu-se deles para explorar as profundas zonas da consciência humana que as convenções literárias da sua época não aprovariam ver à solta, directamente em palavras, sem a penumbra dos símbolos. Numa grande parte das suas histórias reconhecem-se sentidos múltiplos; e à de Billy Budd não bastaria este, imediato, que valoriza a frustração sexual de Claggart vivida com ódio sádico numa profunda e amarga solidão. Pode afirmar-se que nenhuma outra obra sua levou a tão variadas e audaciosas interpretações. Aquela que se detém no problema emocional e sexual de Claggart não deixa, ainda assim, de conduzir a outro problema, levantado pelo conselho de guerra que condenou Billy Budd e põe em relevo uma verdade fundamental das sociedades regidas pela Lei: que a força desta Lei se sobrepõe à consciência da Justiça.»

da Apresentação de Aníbal Fernandes

«No tempo em que não havia barcos a vapor ou não eram, pelo menos, tantos como os que hoje existem, alguém que vagueasse ao longo das docas de um importante porto de mar teria por vezes a atenção alertada por um grupo de marinheiros bronzeados, homens de um navio de guerra ou mercante com a roupa domingueira de quem tinha tempo livre em terra. Em certas ocasiões caminhavam lado a lado, mas noutras eram como uma escolta a cercar uma qualquer figura superior da sua classe que andava com eles por ali fora como Aldebarã entre as luzes menores da sua constelação. Este objecto notável era o “Marinheiro Bem Parecido” de um tempo menos prosaico, tanto para a marinha de guerra como para a marinha mercante. E sem traço perceptível de vanglória, antes com a simplicidade desenvolta da sua natural realeza, é que ele parecia aceitar a espontânea homenagem dos seus camaradas.»

Billy Budd, capítulo I

«Para Grandes Solidões Magníficos Espelhos», de Carmo Sousa Lima, Vasco Araújo e João Sousa Monteiro


Para Grandes Solidões
Magníficos Espelhos
 
Carmo Sousa Lima | Vasco Araújo | João Sousa Monteiro

ISBN: 978-989-8566-34-8
Edição: Novembro de 2013
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 15,5x23,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 144 (com fotografias a preto e branco)

Durante vários meses, Carmo Sousa Lima (psicanalista) e Vasco Araújo (artista plástico) conversaram sobre a infância e os mistérios que a tecem sem se deixarem ler; sobre a delicadeza; sobre o enigma que parece estar no coração de tudo; sobre a virtude da incerteza, a coragem, o fascínio da fragilidade; sobre os medos que cruzam a vida em todas as direcções. A obra em vídeo de Vasco Araújo – hoje uma referência central no panorama da arte contemporânea – inspirou muitas destas conversas. Sem que tivesse sido planeado, o livro revelou-se um surpreendente ‘statement’ sobre a experiência criativa de Vasco Araújo. Longos anos de experiência clínica, e um olhar de autora de poesia, atravessam cada linha deste livro. Olhada em conjunto, a conversa – com as suas hesitações, inseguranças, mudanças bruscas de direcção – reflecte sem o quererem, a experiência da vulnerabilidade com que os dois interlocutores vêem, de dentro, a vida. João Sousa Monteiro (psicanalista) colaborou na última, e mais extensa, conversa deste livro.


«Vasco: …O mundo é feito de coisas invisíveis, que quando se mostram são extraordinárias!
João: Mas quantos dos vivos estão vivos? O que é que, em cada um de nós, está vivo – ainda está vivo, já está vivo, nunca esteve vivo, nunca estará vivo, não queremos que esteja vivo? C. Péguy dizia que em cada novo dia, a coisa mais velha do mundo é o jornal da véspera, e a mais nova, a Ilíada. Quantos de nós somos apenas o jornal da véspera? Quanto de cada um de nós já se tornou no jornal da véspera, ou quantas vezes nunca foi outra coisa senão o jornal da véspera? Estou inteiramente de acordo em que é precisa imensa coragem para manter um olhar claro relativamente à vida. Mas não é exactamente o que mais nos falta a todos, coragem?
Carmo: …«ele há dias»… e nessa matéria – como em tantas outras – há dias que valem anos e anos que valem dias…»
cartaz

«Pandemos», de Manuel Vieira, Pedro Portugal e Pedro Proença



Pandemos
Manuel Vieira | Pedro Portugal | Pedro Proença

ISBN: 978-989-8618-52-8
Edição: Outubro 2013
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 20,5x26,5 cm (brochado)
Número de páginas: 204 (a cores)

[ Em colaboração com a Fundação Carmona e Costa ]


Este catálogo foi publicado para a exposição PANDEMOS, de Manuel Vieira (Lisboa, 1962), Pedro Portugal (Penamacor, 1963) e Pedro Proença (Lubango, 1962), realizada na Fundação Carmona e Costa entre 26-10-2013 e 28-12-2013.
Os autores são membros fundadores da Homeoestética, um movimento artístico surgido em Lisboa no início dos anos 80. A 1.ª Exposição Homeostética teve lugar em 1983, com um manifesto, um hino, uma banda sonora (concerto para máquina de lavar a loiça e pandeireta) e a revista/fanzine Filhos de Átila.

Somos a velha antropofagia das velhas vanguardas antropófagas. Devoramos toda a história demasiadas vezes – deliciamo-nos com manifestos e panfletos, banqueteamo-nos com filmes inconsequentes, montagens absurdas, músicas ruidosas, pastiches selvagens, filósofos desbocados, feministas neo-barrocas – estivemos nus em hapenningues (ou não estivemos?), gostamos de ouvir quer histórias muito bem contadas quer histórias muito mal contadas, quer filmes merdosos com histórias anódinas e trastes com tiradas frias. Masturbamo-nos com Sade, limpamos o cu ao Zaratrusta, e voltamos a ler Platão de roupão. Cultura com muita excelência misturada com maravilhosa imaturidade. Underground com glamour. Kadafi suicidando-se ao som da Aida. Revolucionários pindéricos que ouvem Charles Aznavour.»

[«Cinema canibalizando canibalismos»,
in Pandemos, ]

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A obra em vídeo de Vasco Araújo inspirou muitas destas conversas.

clicar na imagem para aumentar convite

Durante vários meses, Carmo Sousa Lima (psicanalista) e Vasco Araújo (artista plástico) conversaram sobre a infância e os mistérios que a tecem sem nunca se deixarem ler; sobre a delicadeza; sobre o enigma que parece estar no coração de tudo; sobre a virtude da incerteza, a coragem; sobre os medos que cruzam a vida; sobre o fascínio da fragilidade. A obra em vídeo de Vasco Araújo — hoje uma referência central no panorama da arte contemporânea — inspirou muitas destas conversas. Sem que tivesse sido planeado, o livro revelou-se um surpreendente ‘statement’ sobre a experiência criativa de Vasco Araújo. Os longos anos de experiência clínica de Carmo Sousa Lima, e um olhar de Autora de poesia, atravessam cada linha deste livro. Olhada em conjunto, a conversa — com as suas hesitações, inseguranças, mudanças bruscas de direcção — reflecte a experiência da vulnerabilidade com que os dois interlocutores vêem, de dentro, a vida. João Sousa Monteiro (psicanalista) colaborou na última conversa deste livro.
  

José de Guimarães

http://blogue-documenta.blogspot.pt/search/label/Jos%C3%A9%20de%20Guimar%C3%A3es

http://blogue-documenta.blogspot.pt/search/label/Jos%C3%A9%20de%20Guimar%C3%A3es

José de Guimarães, pseudónimo de José Maria Fernandes Marques, nasceu em Guimarães, em 25 de Novembro de 1939, e desde 1995 que reparte a sua vida entre Lisboa e Paris. O seu trabalho, representado nas mais relevantes colecções institucionais em Portugal e um pouco por todo o mundo, com especial incidência no Japão, propõe cruzamentos com a arte de civilizações não ocidentais – africana, chinesa, mesoamericana –, uma busca incessante de relações não-verbais, a que não é estranho o labor de coleccionador a que se vem dedicando há várias décadas. 

Obra disponível na sua livraria habitual e nas nossas livrarias do Chiado e da Passos Manuel, em Lisboa.

sábado, 23 de novembro de 2013

Herberto Helder (Funchal, 23-XI-1930)

Fotografia do espólio Alberto Lacerda, gentilmente cedida por Luís Amorim de Sousa


AOS AMIGOS

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Helder


 
Toda a obra de Herberto Helder à sua disposição nas 
 
Pátio Siza - Rua Garrett, 10 | Rua do Carmo, 29 | Lisboa 
Telefone 212460505 segunda a sábado: 12h-19h | domingo: 15h-19h}
Rua Passos Manuel, 67 B | Lisboa 
Telefone 213583030 Fax 213583039 livraria.pm@sistemasolar.pt segunda a sexta: 10h-13h | 14h-19h

terça-feira, 19 de novembro de 2013

«Foi abatido com dois tiros na nuca», faz hoje 71 anos.

http://blogue-documenta.blogspot.pt/search?q=schulz
clicar na imagem

«No dia 19 de Novembro de 1942, dirigia-se Bruno Schulz (1892-1942) para o ghetto quando percebeu que estava a ser perseguido por um grupo de SSs. Como reacção pôs-se em fuga, um bom pretexto para ser alvejado. Foi abatido com dois tiros na nuca;  e o advogado Izydor Friedman, que presenciou a cena, garantiu mais tarde que esses dois tiros tinham sido dados por Günther. [...].»

Aníbal Fernandes, Apresentação de As Lojas de Canela, Sistema Solar, 2012.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Rosa Maria Martelo vence Prémio PEN Clube de Ensaio | 2012


O PEN Clube Português anuncia que foi atribuído a Rosa Maria Martelo, pelo seu livro O Cinema da Poesia, o Prémio PEN Clube de Ensaio | 2012.

O júri foi constituído por Teresa Salema, João de Almeida Flor e António Carlos Cortez.


Parabéns, Rosa Maria Martelo!

Rosa Maria Martelo nasceu no Porto, em 1957. É professora associada com agregação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Doutorada em Literatura Portuguesa, tem estudado a poesia moderna e contemporânea e as relações inter-artísticas (poesia/cinema). Algumas publicações: Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia (Campo das Letras, 1998), Em Parte Incerta. Estudos de Poesia Portuguesa Contemporânea (Campo das Letras, 2004), Vidro do Mesmo Vidro – Tensões e deslocamentos na poesia portuguesa depois de 1961 (Campo das Letras, 2007), A Porta de Duchamp (Averno, 2009), A Forma Informe – Leituras de Poesia (Assírio & Alvim, 2010, Prémio Jacinto do Prado Coelho), O Cinema da Poesia (Documenta, 2012). Organizou, com Joana Matos Frias e Luís Miguel Queirós, a antologia Poemas com Cinema (Assírio & Alvim, 2010). Tem colaboração dispersa em várias publicações colectivas nacionais e estrangeiras, e em diversas revistas (Colóquio/Letras, Relâmpago, Telhados de Vidro, Diacrítica, Cadernos de Literatura Comparada, Abril, Tropelías, entre outras).

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

«Ethos e Polis»




No âmbito da colecção «Ethos e Polis», 
com direcção científica a cargo do Instituto de Filosofia Prática, 
são publicadas obras de ética, filosofia moral e pensamento político, de autores clássicos e contemporâneos.


Onde pode encontrar ou encomendar estes livros:

1.
Na sua livraria habitual
2.
3.
Na Sistema Solar - Rua Passos Manuel, 67-B 1150-258 Lisboa 
Telefone: 213583030; Fax: 213583039 E-mail: encomendas@sistemasolar.pt

terça-feira, 15 de outubro de 2013

«"Bruges-a-morta": a dor como religião», por Mário Rufino



«Ver a vida com olhos de morto. É esta a perspectiva de Georges Rodenbach perante os infortúnios de Hugues Viane, o personagem principal de "Bruges-a-morta", editado pela Sistema Solar.

Pouco tempo após a morte de sua mulher, o inconsolável Hugues Viane decide instalar-se na cidade de Bruges. Ele precisava de “silêncio infinito e de uma existência tão monótona que deixasse, quase, de dar-lhe a sensação de viver” (pág. 23).
Os seus passos são guiados pela destruição que existe em si. Durante o dia, Hugues mantém-se isolado, em casa, sem vontade de procurar qualquer solução para o mal de que padece. Chegada a noite, ele sai e caminha por canais solitários, bairros de ruas vazias e gente recolhida em casa. Bruges, a morta, é a cidade que espelha o interior de Hugues. A caracterização do local e das pessoas sofre o fenómeno de projecção do estado de espírito do personagem. Ali ele sente que o lugar está em comunhão consigo, pois para ele “Bruges era a sua morta. E a sua morte era Bruges” (pág. 24).
Mais tarde, virá a deslocar a sua obsessão para uma pessoa em substituição da cidade. A necessidade de se manter naquele sentimento de melancolia, como ponto de contacto com a sua falecida esposa, transforma-se numa paixão por um “espelho vivo” da sua alma. Talvez o mais indicado seja dizer que se mantém apaixonado pela falecida, mas no corpo de outra mulher, pois “Quando olhava para Jane, Hugues pensava na morta, nos beijos, nos abraços de outrora. Acreditava que possuía de novo a outra, possuindo esta. O que parecia acabado para sempre, ia recomeçar. E nem sequer enganava a esposa, porque ela voltava a ser amada nesta efígie e beijada nesta boca igual à sua” (pág. 39).
A cidade começou a rejeitá-lo. Hugues, até ali visto como um exemplo de sobriedade, começa a ser alvo de escárnio. A honesta castidade dera lugar a uma dor de plástico.
A aproximação a uma figura feminina implica um afastamento do personagem da cidade de Bruges, que fora o motivo da sua mudança. Quando ele se afasta de Jane, volta a projectar as suas condições emocionais na cidade. São variáveis do mesmo assunto: a obsessiva projecção de uma necessidade.
A peregrinação de Hugues anuncia um fim trágico. O leitor contempla a inevitabilidade da desgraça.
O escritor simbolista faz de Bruges, cidade outrora importante como entreposto comercial, muito mais do que um contexto para determinado enredo. O minimalismo da história permite ao autor desenvolver a relação metafórica entre local e personagens. O ambiente citadino é essencial no jogo de símbolos, na criação de contraste entre ambientes abertos e fechados, emoções e objectos, real e irreal, explícito e implícito, silêncio e som.
“Bruges-a-morta” (tradução e apresentação de Aníbal Fernandes) é um exemplo do que o simbolismo pode ser, quando entregue a esta qualidade: sugestivo, cativante e sedutor.»

Mário Rufino, «"Bruges-a-morta": a dor como religião», Diário Digital, 14 de Outubro de 2013.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

«Em "O Aperto do Parafuso", é como se o autor tecesse uma tapeçaria com um só fio.»


«Num dos seus notáveis cadernos, a propósito de O Aperto do Parafuso, Henry James usou a imagem de uma esponja espremida. Apesar da sua trivialidade, ela é capaz de dar o tom e o efeito desta novela, um dos pontos máximos do género em qualquer tempo. Uma história de mistério delineada de forma impecável e exasperante, como um parafuso que se vai apertando sobre um corpo. Esta é a primeira tradução convincente do título. Aníbal Fernandes, em mais uma apresentação que fica para a história (não se percebe porque não estão reunidos em livro os seus prefácios), encerra o debate – «Calafrio (…) deixa um título-causa transformado num título-efeito» (p.8).
A singularidade de James reside no império do seu estilo e na capacidade de manobrar a intriga até o leitor mais não ser do que um peão no xadrez da sua escrita. As suas narrativas são o inimigo declarado da sinopse. Pouco nelas se passa, efectivamente, mas nessa brecha encaixa toda a escala do humano. Em O Aperto do Parafuso, é como se o autor tecesse uma tapeçaria com um só fio.
Embora escassos, os materiais da ficção, graças à alquimia jamesiana, expandem-se, como a luz passada por um prisma. O prisma é James; a luz, a sua escrita; o assombro é de quem lê – «Não o vermos é a mais forte das provas.» (p.158) De outra forma, como fazer uma obra-prima do relato em torno dos irmãozitos Miles e Flora, assombrados pelo espectro de dois antigos empregados da casa? Como se engendraria esta tortura a que o leitor se submete voluntariamente? Genial masoquismo.

Hugo Pinto Santos, Time Out Lisboa, 2-8 de Outubro de 2013.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Duas novas traduções de Aníbal Fernandes na Sistema Solar

Os dois de cima, 
O Aperto do Parafuso, de Henry James, e Bruges-a-Morta, de Georges Rodenbach,
são as mais recentes traduções de Aníbal Fernandes na Sistema Solar.
Já andam pelas livrarias e não estão em nenhum top. 
Procure-os na sua livraria habitual.
Boas leituras!


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

«Vertigem», por Pedro Mexia


«Um homem que perdeu uma mulher, a quem queria muito, encontra outra, fisicamente idêntica, e convence-se de que se trata da morta ressuscitada, ou talvez reencarnada. Podia ser o "Vertigo" de Hitchcock, mas é "Bruges-a-Morta" (1892), do belga Georges Rodenbach (1855-1898).
(...)
À primeira vista, Jane representa o triunfo de Hugues sobre a morte; mas à medida que a "fusão" avança, vão-se atenuando afinidades e desvendando contradições, ilusões, e até gestos aviltantes, ou não fosse Jane uma putéfia. (...).
Quando Bruges é atravessada por uma procissão, sumptuosamente descrita como uma espécie de cortejo fúnebre, adivinha-se a iminente vertigem trágica. Mas nem a previsibilidade diminui a força desta novela doentia.»

Pedro Mexia, «Vertigem», «Actual» / Expresso, 21 de Setembro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Grande Prémio de Ensaio "Eduardo Prado Coelho" é amanhã entregue em Vila Nova de Famalicão


Rosa Maria Martelo recebe o Grande Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho" no próximo dia 18 de Setembro, pelas 17h30, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão. 

Este prémio, decidido por unanimidade por um júri constituído por Clara Rocha, José Cândido Martins e José Carlos Seabra Pereira, foi atribuído pela obra O Cinema da Poesia, editada pela Documenta.


Rosa Maria Martelo nasceu no Porto, em 1957. É professora associada com agregação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. Doutorada em Literatura Portuguesa, tem estudado a poesia moderna e contemporânea e as relações inter-artísticas (poesia/cinema). Algumas publicações: Carlos de Oliveira e a Referência em Poesia (Campo das Letras, 1998), Em Parte Incerta. Estudos de Poesia Portuguesa Contemporânea (Campo das Letras, 2004), Vidro do Mesmo Vidro – Tensões e deslocamentos na poesia portuguesa depois de 1961 (Campo das Letras, 2007), A Porta de Duchamp (Averno, 2009), A Forma Informe – Leituras de Poesia (Assírio & Alvim, 2010, Prémio Jacinto do Prado Coelho), O Cinema da Poesia (Documenta, 2012). Organizou, com Joana Matos Frias e Luís Miguel Queirós, a antologia Poemas com Cinema (Assírio & Alvim, 2010). Tem colaboração dispersa em várias publicações colectivas nacionais e estrangeiras, e em diversas revistas (Colóquio/LetrasRelâmpago, Telhados de Vidro, Diacrítica, Cadernos de Literatura Comparada, Abril, Tropelías, entre outras).

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

D. H. Lawrence nasceu no dia 11 de Setembro de 1885, em Eastwood.



Rosa Maria Martelo recebe Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho


Rosa Maria Martelo recebe o Grande Prémio de Ensaio “Eduardo Prado Coelho" no próximo dia 18 de Setembro, pelas 17h30, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão. 

Este prémio, decidido por unanimidade por um júri constituído por Clara Rocha, José Cândido Martins e José Carlos Seabra Pereira, foi atribuído pela obra O Cinema da Poesia, editada pela Documenta.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

«Cinzenta melancolia», por José Riço Direitinho



A ilusão do triunfo da vida sobre a morte, num estranho jogo de reflexos e de penumbras. 

Durante séculos, Bruges fez parte das rotas comerciais dos grandes navios hanseáticos, crescendo e prosperando na actividade mercantil, atraindo artesãos, artistas e famílias nobres. Mas, no final do século XV, o canal natural Zwyn, que ligava a cidade ao Mar do Norte, assoreou, e o comércio marítimo desapareceu por impossibilidade de os navios lá chegarem; como uma "rainha destronada", Bruges tornou-se taciturna e melancólica, o lendário fausto dos seus palácios ficou reduzido à pedra dos brasões que encima as portas, a agonia tornou-se o seu estado permanente, a vida apenas um arremedo, um pálido reflexo daquilo que fora em tempos.

O silêncio pio e a quietude estendem-se agora como uma sombra de pedra sobre Bruges, cidade tomada pela melancolia cinzenta dos horizontes nublados, pelos tons tristes do céu do Norte, pelo canto agoirento dos cisnes, pelos toques dos sinos que parecem trazer de volta "a cinza morta dos anos" - um passado longínquo que teima em reflectir-se nas águas escuras. O escritor belga Georges Rodenbach (1855-1898) usa este pano de fundo de penumbras iluminadas para nele colocar a história de Hugues Viane, homem de cerca de 40 anos que, após ter enviuvado, escolhe esta cidade como o lugar onde iria tentar continuar a viver. "À esposa morta deveria corresponder uma cidade morta. O seu grande luto exigia um tal cenário. Só em Bruges a vida lhe seria suportável. Que o mundo para além dela se agitasse, fizesse ruído, acendesse as suas festas, entrançasse os seus mil rumores. Ele precisava de silêncio infinito e de uma existência tão monótona que deixasse, quase, de dar-lhe a sensação de viver."

Há na escolha uma estranha ilusão de um tempo que não se move, como se essa imobilidade tornasse possível a imortalidade daquela que ele amou. Hugues conserva em casa, ocupando várias paredes, muitos retratos da mulher morta (em várias idades) para que a sua imagem não se desvaneça na sua memória, à semelhança do que acontece há séculos com o reflexo da cidade nas águas escuras dos canais. Fechada dentro de uma caixa de vidro, "para a defender das contaminações", está a comprida trança de cabelo, "amarelo de âmbar", que ele tomara do cadáver da mulher havia cinco anos. É a trança, o cabelo que "a terra não come", que por metonímia substitui o corpo, criando a ilusão do triunfo da vida sobre a morte. Hugues vive o êxtase numa estranha eternização do luto. Mas uma tarde encontra por acaso, numa rua de Bruges, aquela cidade de "que ele também parecia ser o viúvo", uma mulher em tudo semelhante à defunta, de "uma semelhança que chegava à identidade". Segue-a, perde-a, encontra-a de novo, e mais tarde conseguirá falar com ela: tem "uma voz da mesma cor, voz com um idêntico trabalho de ourives". Também o olhar é igual, parecendo chegar "de muito longe, ressuscitado do túmulo como o que Lázaro deve ter deitado a Jesus". Esta espécie de dupla da falecida leva o protagonista a uma nova ilusão, que de novo contribui para tornar a mascarar a morte da mulher. Começa então a encontrar-se com ela amiúde, ao final do dia. "Acreditava que possuía de novo a outra, possuindo esta. O que parecia acabado para sempre ia recomeçar." Estabelece-se assim na narrativa uma relação ambivalente entre a morte e a imortalidade, uma quase "instabilidade ontológica" entre vida e morte.

Bruges-a-Morta foi publicado originalmente (1892) em forma de folhetim no jornal Le Figaro, apesar de ter sido escrito no seio do movimento simbolista (os três belgas que despertaram a atenção do grupo francês, onde se destacava Mallarmé, foram Georges Rodenbach na prosa, Maeterlink no teatro, e Émile Verhaeren na poesia). Nessa tentativa de aproximação à estética romântica que parecia caracterizá-lo - rejeitando claramente o Realismo, então em moda em França -, tem ainda quase todas as características das obras do "romantismo alemão tardio". Rodenbach escreve uma história intimista, com um mal disfarçado gosto pela morte, num ambiente melancólico sublinhado por uma religiosidade penumbrosa, em que idealiza temas (saudade, tristeza, e desilusão) "exagerando" as emoções, de tal forma que a cidade, a mulher e o protagonista, num processo de identificação, se igualam à morte. "Bruges era a sua morta. E a sua morta era Bruges. Tudo se unificava num destino idêntico. Era Bruges-a-Morta, descida ela própria ao túmulo dos seus cais de pedra, com as artérias dos seus canais arrefecidas desde que deixara de bater ali a forte pulsação do mar."

José Riço Direitinho, «Cinzenta melancolia», «Ípsilon» / Público, 30 de Agosto de 2013.