sábado, 30 de novembro de 2013

Encontros Mário Cesariny


Hoje, às 16:00 horas, será apresentado na Fundação Cupertino de Miranda, o livro

LE TEMPS DES PIONNIERS
 Desenho, inversões, pintura e colagem sobre fotografias
de Mário Cesariny
uma edição conjunta da Documenta com a Fundação Cupertino de Miranda

Fundação Cupertino de Miranda
 Praça Dona Maria II, 4760-111 Vila Nova de Famalicão

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mário Cesariny [ Lisboa, 9/VIII/1923 - Lisboa, 26/XI/2006 ]

http://livrariasassirio.blogspot.pt/search?q=m%C3%A1rio+cesariny
 Fotografia de Perfecto Cuadrado

«Histórias da Areia», de Isabelle Eberhardt


Histórias da Areia

Isabelle Eberhardt


Selecção, tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8566-29-4
Edição: Novembro de 2013
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5x20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 160

«As mulheres de Isabelle Eberhardt [Genebra, Suíça, 1877 – Aïn Séfra, Algéria, 1904] sofrem com um desejo de liberdade no amor que a cultura islâmica proíbe, vivem amores nómadas dramáticos quando não transcendidos pela fé; os seus homens europeus sofrem o feitiço oculto no infinito das dunas e na solidão reveladora do “outro”, místico e esotérico, transcendido com o esplendor magnífico dos elementos, vivem embriagados por um amor que opõe o Oriente e o Ocidente, e por ambos reprovado. Muitos traços destas personagens masculinas e femininas podem ser-lhe atribuídos,
podem ser consideradas habitantes dos painéis de uma fragmentada e romanceada autobiografia raras vezes decidida a assumir-se com um explícito “eu”. Isabelle Eberhardt, com uma prosa generosamente adjectivada que o calor do seu olhar exige, apaixonada por ruídos, cheiros, cores, sabores, ainda assim não deixa de fazer pesar nesta festa e nesta imemorial beleza uma presença de morte. Da morte que nunca a assustou, a benfazeja, a que inspira aos muçulmanos esta saudação: “Faça-te Deus morrer jovem.” Ela própria reconhece-o nesta frase: “A morte sempre me surgiu com a forma atraente da sua imensa melancolia.”
[…]
“Bebia de mais”, diz Robert Randau. “Era a única coisa que contrastava com a sua profunda aceitação da fé muçulmana. Sim, tinha a religiosidade intensa dos místicos e dos mártires. Vivia como um homem, como um rapaz, porque bem mais parecia rapaz do que rapariga. Mas era, com o seu ar de hermafrodita, apaixonada e sensual embora diferente de uma mulher. Ainda por cima com o peito completamente plano. Tinha pequenas vaidades, embora bem mais fossem as de um árabe elegante. Trazia as belas mãos sempre enfeitadas com henna, a roupa sempre imaculada, e quando tinha dinheiro punha desses perfumes muito intensos que os árabes adoram.”»

da Apresentação de Aníbal Fernandes

«Billy Budd, Marinheiro», de Herman Melville



Billy Budd, Marinheiro

Herman Melville


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes


ISBN: 978-989-8566-32-4
Edição: Novembro de 2013
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5×20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 160

«Herman Melville [Nova Iorque, EUA, 1819 – Nova Iorque, EUA, 1891] foi um exímio manipulador de significados ocultos; e serviu-se deles para explorar as profundas zonas da consciência humana que as convenções literárias da sua época não aprovariam ver à solta, directamente em palavras, sem a penumbra dos símbolos. Numa grande parte das suas histórias reconhecem-se sentidos múltiplos; e à de Billy Budd não bastaria este, imediato, que valoriza a frustração sexual de Claggart vivida com ódio sádico numa profunda e amarga solidão. Pode afirmar-se que nenhuma outra obra sua levou a tão variadas e audaciosas interpretações. Aquela que se detém no problema emocional e sexual de Claggart não deixa, ainda assim, de conduzir a outro problema, levantado pelo conselho de guerra que condenou Billy Budd e põe em relevo uma verdade fundamental das sociedades regidas pela Lei: que a força desta Lei se sobrepõe à consciência da Justiça.»

da Apresentação de Aníbal Fernandes

«No tempo em que não havia barcos a vapor ou não eram, pelo menos, tantos como os que hoje existem, alguém que vagueasse ao longo das docas de um importante porto de mar teria por vezes a atenção alertada por um grupo de marinheiros bronzeados, homens de um navio de guerra ou mercante com a roupa domingueira de quem tinha tempo livre em terra. Em certas ocasiões caminhavam lado a lado, mas noutras eram como uma escolta a cercar uma qualquer figura superior da sua classe que andava com eles por ali fora como Aldebarã entre as luzes menores da sua constelação. Este objecto notável era o “Marinheiro Bem Parecido” de um tempo menos prosaico, tanto para a marinha de guerra como para a marinha mercante. E sem traço perceptível de vanglória, antes com a simplicidade desenvolta da sua natural realeza, é que ele parecia aceitar a espontânea homenagem dos seus camaradas.»

Billy Budd, capítulo I

«Para Grandes Solidões Magníficos Espelhos», de Carmo Sousa Lima, Vasco Araújo e João Sousa Monteiro


Para Grandes Solidões
Magníficos Espelhos
 
Carmo Sousa Lima | Vasco Araújo | João Sousa Monteiro

ISBN: 978-989-8566-34-8
Edição: Novembro de 2013
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 15,5x23,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 144 (com fotografias a preto e branco)

Durante vários meses, Carmo Sousa Lima (psicanalista) e Vasco Araújo (artista plástico) conversaram sobre a infância e os mistérios que a tecem sem se deixarem ler; sobre a delicadeza; sobre o enigma que parece estar no coração de tudo; sobre a virtude da incerteza, a coragem, o fascínio da fragilidade; sobre os medos que cruzam a vida em todas as direcções. A obra em vídeo de Vasco Araújo – hoje uma referência central no panorama da arte contemporânea – inspirou muitas destas conversas. Sem que tivesse sido planeado, o livro revelou-se um surpreendente ‘statement’ sobre a experiência criativa de Vasco Araújo. Longos anos de experiência clínica, e um olhar de autora de poesia, atravessam cada linha deste livro. Olhada em conjunto, a conversa – com as suas hesitações, inseguranças, mudanças bruscas de direcção – reflecte sem o quererem, a experiência da vulnerabilidade com que os dois interlocutores vêem, de dentro, a vida. João Sousa Monteiro (psicanalista) colaborou na última, e mais extensa, conversa deste livro.


«Vasco: …O mundo é feito de coisas invisíveis, que quando se mostram são extraordinárias!
João: Mas quantos dos vivos estão vivos? O que é que, em cada um de nós, está vivo – ainda está vivo, já está vivo, nunca esteve vivo, nunca estará vivo, não queremos que esteja vivo? C. Péguy dizia que em cada novo dia, a coisa mais velha do mundo é o jornal da véspera, e a mais nova, a Ilíada. Quantos de nós somos apenas o jornal da véspera? Quanto de cada um de nós já se tornou no jornal da véspera, ou quantas vezes nunca foi outra coisa senão o jornal da véspera? Estou inteiramente de acordo em que é precisa imensa coragem para manter um olhar claro relativamente à vida. Mas não é exactamente o que mais nos falta a todos, coragem?
Carmo: …«ele há dias»… e nessa matéria – como em tantas outras – há dias que valem anos e anos que valem dias…»
cartaz

«Pandemos», de Manuel Vieira, Pedro Portugal e Pedro Proença



Pandemos
Manuel Vieira | Pedro Portugal | Pedro Proença

ISBN: 978-989-8618-52-8
Edição: Outubro 2013
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 20,5x26,5 cm (brochado)
Número de páginas: 204 (a cores)

[ Em colaboração com a Fundação Carmona e Costa ]


Este catálogo foi publicado para a exposição PANDEMOS, de Manuel Vieira (Lisboa, 1962), Pedro Portugal (Penamacor, 1963) e Pedro Proença (Lubango, 1962), realizada na Fundação Carmona e Costa entre 26-10-2013 e 28-12-2013.
Os autores são membros fundadores da Homeoestética, um movimento artístico surgido em Lisboa no início dos anos 80. A 1.ª Exposição Homeostética teve lugar em 1983, com um manifesto, um hino, uma banda sonora (concerto para máquina de lavar a loiça e pandeireta) e a revista/fanzine Filhos de Átila.

Somos a velha antropofagia das velhas vanguardas antropófagas. Devoramos toda a história demasiadas vezes – deliciamo-nos com manifestos e panfletos, banqueteamo-nos com filmes inconsequentes, montagens absurdas, músicas ruidosas, pastiches selvagens, filósofos desbocados, feministas neo-barrocas – estivemos nus em hapenningues (ou não estivemos?), gostamos de ouvir quer histórias muito bem contadas quer histórias muito mal contadas, quer filmes merdosos com histórias anódinas e trastes com tiradas frias. Masturbamo-nos com Sade, limpamos o cu ao Zaratrusta, e voltamos a ler Platão de roupão. Cultura com muita excelência misturada com maravilhosa imaturidade. Underground com glamour. Kadafi suicidando-se ao som da Aida. Revolucionários pindéricos que ouvem Charles Aznavour.»

[«Cinema canibalizando canibalismos»,
in Pandemos, ]

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A obra em vídeo de Vasco Araújo inspirou muitas destas conversas.

clicar na imagem para aumentar convite

Durante vários meses, Carmo Sousa Lima (psicanalista) e Vasco Araújo (artista plástico) conversaram sobre a infância e os mistérios que a tecem sem nunca se deixarem ler; sobre a delicadeza; sobre o enigma que parece estar no coração de tudo; sobre a virtude da incerteza, a coragem; sobre os medos que cruzam a vida; sobre o fascínio da fragilidade. A obra em vídeo de Vasco Araújo — hoje uma referência central no panorama da arte contemporânea — inspirou muitas destas conversas. Sem que tivesse sido planeado, o livro revelou-se um surpreendente ‘statement’ sobre a experiência criativa de Vasco Araújo. Os longos anos de experiência clínica de Carmo Sousa Lima, e um olhar de Autora de poesia, atravessam cada linha deste livro. Olhada em conjunto, a conversa — com as suas hesitações, inseguranças, mudanças bruscas de direcção — reflecte a experiência da vulnerabilidade com que os dois interlocutores vêem, de dentro, a vida. João Sousa Monteiro (psicanalista) colaborou na última conversa deste livro.
  

José de Guimarães

http://blogue-documenta.blogspot.pt/search/label/Jos%C3%A9%20de%20Guimar%C3%A3es

http://blogue-documenta.blogspot.pt/search/label/Jos%C3%A9%20de%20Guimar%C3%A3es

José de Guimarães, pseudónimo de José Maria Fernandes Marques, nasceu em Guimarães, em 25 de Novembro de 1939, e desde 1995 que reparte a sua vida entre Lisboa e Paris. O seu trabalho, representado nas mais relevantes colecções institucionais em Portugal e um pouco por todo o mundo, com especial incidência no Japão, propõe cruzamentos com a arte de civilizações não ocidentais – africana, chinesa, mesoamericana –, uma busca incessante de relações não-verbais, a que não é estranho o labor de coleccionador a que se vem dedicando há várias décadas. 

Obra disponível na sua livraria habitual e nas nossas livrarias do Chiado e da Passos Manuel, em Lisboa.

sábado, 23 de novembro de 2013

Herberto Helder (Funchal, 23-XI-1930)

Fotografia do espólio Alberto Lacerda, gentilmente cedida por Luís Amorim de Sousa


AOS AMIGOS

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Helder


 
Toda a obra de Herberto Helder à sua disposição nas 
 
Pátio Siza - Rua Garrett, 10 | Rua do Carmo, 29 | Lisboa 
Telefone 212460505 segunda a sábado: 12h-19h | domingo: 15h-19h}
Rua Passos Manuel, 67 B | Lisboa 
Telefone 213583030 Fax 213583039 livraria.pm@sistemasolar.pt segunda a sexta: 10h-13h | 14h-19h

terça-feira, 19 de novembro de 2013

«Foi abatido com dois tiros na nuca», faz hoje 71 anos.

http://blogue-documenta.blogspot.pt/search?q=schulz
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«No dia 19 de Novembro de 1942, dirigia-se Bruno Schulz (1892-1942) para o ghetto quando percebeu que estava a ser perseguido por um grupo de SSs. Como reacção pôs-se em fuga, um bom pretexto para ser alvejado. Foi abatido com dois tiros na nuca;  e o advogado Izydor Friedman, que presenciou a cena, garantiu mais tarde que esses dois tiros tinham sido dados por Günther. [...].»

Aníbal Fernandes, Apresentação de As Lojas de Canela, Sistema Solar, 2012.