segunda-feira, 27 de março de 2017

José de Almada Negreiros: A Way of Being Modern I Mariana Pinto dos Santos (ed.)


José de Almada Negreiros: A Way of Being Modern
Mariana Pinto dos Santos (ed.)

Texts by Ana Vasconcelos, Carlos Bártolo, Fernando Cabral Martins, Gustavo Rubim, Luís Trindade, Mariana Pinto dos Santos, Marta Soares, Sara Afonso Ferreira, Tiago Baptista, 
Luis Manuel Gaspar (chronology).

ISBN: 978-989-8834-55-3 

Edição em inglês

Edição: Fevereiro de 2017
Preço: 42,45 euros | PVP: 45 euros
Formato: 24 x29 cm [brochado]
Número de páginas: 424


[Em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian]

This book was published on the occasion of the exhibition “José de Almada Negreiros: A Way of Being Modern”, curated by Mariana Pinto dos Santos and shown at the Calouste Gulbenkian Foundation in Lisbon, from February 3 to June 5 1917.

Considering the modern as a form of historical time, and its critical character, the modernisms were different ways of understanding the modern, and the new. In the conference he delivered in Madrid in 1927, “O Desenho” [Drawing], focusing on his solo exhibition organised by La Gaceta Literaria […], Almada states: “To be modern is just like being elegant: it is not a way of dressing, but a way of being. To be modern is not to use the modern calligraphy, but to be the genuine discoverer of the new.” While the modern may be seen by some as the adoption of a certain style, a certain fashion, Almada defines it rather as a way of being, which involves not only embracing the present time, but also acting upon it, not the adherence to the modern, but the act of making it happen. This concept of modernism as action that generates modernity is closely related to the idea of avant-garde. [Mariana Pinto dos Santos]

José de Almada Negreiros (São Tomé and Príncipe, 1893 – Lisbon, 1970) was a multifaceted artist mainly dedicated to visual arts (drawing, painting, etc.) and writing (novels, poetry, essay, playwriting), occupying a central position in the first generation of modernist artists. He had an especially active role in the first modernist avant-garde, with an important contribution to Orpheu magazine’s group dynamics. A controversial figure, his action was essential in the futurist movement in Portugal. His public intervention and work continued through several decades. He was in Paris, even though for a short period, and lived many years in Madrid before his return to Portugal.

Void* – Volumes I, II e III Júlio Pomar e Julião Sarmento



Void* – Volumes I, II e III

Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Melo, Alexandre Pomar e Pedro Faro

ISBN: 978-989-8834-59-1 

Edição português-inglês

Edição: Março de 2017
Preço: 33,02 euros | PVP: 35 euros
Formato: 17x21 cm [brochados]

Caixa com os 3 volumes VOID*

[Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar]


Caixa que reúne os três catálogos publicados por ocasião da exposição Void*: Júlio Pomar & Julião Sarmento no Atelier-Museu Júlio Pomar, de 28 de Outubro de 2016 a 12 de Março de 2017.




Void* – Volume I – Júlio Pomar e Julião Sarmento
Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Melo, Pedro Faro
Formato: 17x21 cm [brochado] | Número de páginas: 136


Void* – Volume II – Julião Sarmento
Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Melo, Pedro Faro
Formato: 17x21 cm [brochado] | Número de páginas: 152


Void* – Volume III – Júlio Pomar
Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Pomar
Formato: 17x21 cm [brochado] | Número de páginas: 112

Void* – Volume I Júlio Pomar e Julião Sarmento


Void* – Volume I

Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Melo, Pedro Faro

ISBN: 978-989-8834-57-7 

Edição português-inglês

Edição: Março de 2017
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 17x21 cm [brochado]
Número de páginas: 136


[Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar]


Catálogo publicado por ocasião da exposição Void*: Júlio Pomar & Julião Sarmento no Atelier-Museu Júlio Pomar, de 28 de Outubro de 2016 a 12 de Março de 2017.

A exposição Void*: Júlio Pomar & Julião Sarmento é pensada, desde a sua génese, como uma intervenção específica no espaço do Atelier-Museu, onde Júlio Pomar e Julião Sarmento, através de pinturas e desenhos, exploram o conceito de void – termo inglês que pode ser entendido como um espaço vazio ou esvaziado; algo que desaparece no espaço; que é vivido como perda ou privação; uma lacuna ou abertura.
Dada a pluralidade de sentidos que o conceito admite, poderia dizer-se que a exposição Void* materializa – paradoxalmente – um vácuo centrífugo, procurando subtrair o espectador das habituais associações com que geralmente é defrontado numa exposição, inserindo-o antes numa formulação ambígua, necessária à concretização do facto estético.
[…] Julião Sarmento mostra uma série de obras sobre tela e sobre papel – registos ou inscrições do trabalho no seu atelier –, com variadas referências literárias, sem qualquer figuração. Júlio Pomar mostra uma série de obras, pinturas e desenhos, realizadas, sobretudo, na década de 1960, por exemplo pinturas sobre o metro de Paris, lutas de corpos, entre outras obras mais e menos abstractas, desenhos do natural, ilustrações para livros e projectos para pinturas – obras que, na exposição, se valorizaram pelas suas componentes e intensidades formais ou compositivas. [Pedro Faro]

Void* – Volume II Julião Sarmento


Void* – Volume II

Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Melo, Pedro Faro

ISBN: 978-989-8834-56-0 

Edição português-inglês

Edição: Março de 2017
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 17x21 cm [brochado]
Número de páginas: 152

[Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar]



Catálogo publicado por ocasião da exposição Void*: Júlio Pomar & Julião Sarmento no Atelier-Museu Júlio Pomar, de 28 de Outubro de 2016 a 12 de Março de 2017.

As obras de Sarmento, vazias de figuras objectivas, traduzem e resultam das marcas e movimentos de um corpo, que é no fundo o seu. As telas e os suportes em papel são assim uma espécie de superfícies de registo, do que o seu corpo viveu, uma espécie de continuação da pele do artista que parece ter sido virada do avesso, mostrando as marcas internas do corpo. [Sara Antónia Matos]

Julião Sarmento [Lisboa, 1948], artista plástico, é autor de uma obra multifacetada, tendo iniciado actividade nos anos 1970, enquadrando-se nas práticas artísticas mais avançadas desse período. Na década seguinte iria afirmar-se como um dos artistas plásticos portugueses com maior projecção nacional e internacional, expondo em galerias e museus de grande prestígio.

Void* – Volume III Júlio Pomar


Void* – Volume III

Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Pomar

ISBN: 978-989-8834-58-4 

Edição português-inglês

Edição: Março de 2017
Preço: 9,52 euros | PVP: 10 euros
Formato: 17x21 cm [brochado]
Número de páginas: 112

[Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar]



Terceira secção do catálogo Void*: Júlio Pomar & Julião Sarmento, publicado por ocasião da exposição que juntou os dois artistas no Atelier-Museu Júlio Pomar, entre 29 de Outubro de 2016 e 12 de Março de 2017, este volume apresenta um extenso conjunto de fotografias a preto-e-branco que mostram obras datadas da segunda metade da década de 1960, quase todas captadas em 1968 (antes ou depois de Maio), no atelier do pintor em Paris.
As imagens que aqui se publicam, com a permissão do artista, disponibilizadas pela Fundação Júlio Pomar especialmente para esta edição, revelam obras em execução ou deixadas inacabadas e outras talvez dadas por concluídas, mas todas igualmente destruídas. As imagens permitem dar a conhecer, por um lado, o cenário privado da residência e atelier do pintor – instalado em 1963 em Paris, na Rue Molitor, n.º 39, XVIe Arrondissement – e, por outro, documentam uma produção datável de 1964 a 1968 com a qual Júlio Pomar deixou então de se identificar e que por isso destruiu, num momento de mudança de processos de trabalho e também de temáticas.
O pendor abstracto das obras que são aqui pela primeira vez apresentadas parece acompanhar uma saturação face às séries e aos meios formais que o pintor vinha a desenvolver anteriormente, num «realismo» de cunho eminentemente gestual, com movimentos amplos e pinceladas livres, sempre com origem na observação directa das cenas e dos espaços. Trata-se de um período de experiências e inovações temáticas, que incluiu o bem-sucedido ciclo das corridas de cavalos, Les Courses, mas também de um tempo de exaustão e de incerteza, a que não terá sido indiferente a instalação no meio francês. [Sara Antónia Matos e Alexandre Pomar]

Júlio Pomar [Lisboa, 1926] vive e trabalha em Paris e Lisboa. Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio e as Escolas de Belas-Artes de Lisboa e do Porto.
No início da sua carreira, foi um dos animadores do movimento neo-realista, desenvolvendo uma larga intervenção crítica em jornais e revistas. Tem-se dedicado especialmente à pintura, mas realizou igualmente trabalhos de desenho, gravura, escultura e «assemblage», ilustração, cerâmica e vidro, tapeçaria, cenografia para teatro e decoração mural em azulejo. Foram-lhe atribuídos vários prémios, nomeadamente o Prémio de Gravura (exaequo) na sua I Exposição de Artes Plásticas, em 1957, o 1.º Prémio de Pintura (exaequo) na II Exposição de Artes Plásticas, em 1961, o Prémio Montaigne em 1993, o Prémio AICA-SEC em 1995, o Prémio Celpa / Vieira da Silva, em 2000, e em 2003 o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso. Além de diversos textos publicados em revistas e catálogos, sobre outros artistas e sobre a sua própria obra, Pomar é autor de livros de ensaios sobre pintura.

Desordem Vertical I Pedro Casqueiro


Desordem Vertical

ISBN: 978-989-8834-63-8

Edição: Março de 2017
Preço: 12,26 euros | PVP: 13 euros
Formato: 14,5x20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 80


[Em colaboração com a Galeria Ala da Frente]



Livro publicado por ocasião da exposição Pedro Casqueiro – Desordem Vertical, com curadoria de António Gonçalves, realizada na Galeria Ala da Frente, em Vila Nova de Famalicão, de 4 de Março a 27 de Maio de 2017.

O que torna a obra de Pedro Casqueiro um exemplo excepcional de vitalidade é a sua capacidade de sabotar, desviar e subverter tudo o que seriam as expectativas habituais, os efeitos previsíveis, o espectáculo gratuito ou as seduções superficiais inerentes aos materiais com que trabalha. O processo de despistagem da vulgaridade é obtido através da procura sistemática do acontecimento mínimo — a inversão de uma regra de contiguidade cromática, uma linha oblíqua, uma sobreposição desfocada — mais susceptível de produzir a perplexidade máxima. Ou seja, a regra do equilíbrio mais difícil: aquele que se experimenta sensivelmente como irresistível e incorrigível desacerto, apaixonante contrabando do ritmo perfeito. [Alexandre Melo in Pedro Casqueiro, Assírio & Alvim, 2002]

Pedro Casqueiro nasceu em Lisboa, em 1959. Frequentou a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, tendo-lhe sido atribuído o Prémio Revelação de Desenho na II Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira (1980). Vive e trabalha em Lisboa.

Deita-te, levanta-te e agora deita-te I Maria Capelo


Deita-te, levanta-te e agora deita-te

Textos de Nuno Faria e João Pinharanda

português-inglês

ISBN: 978-989-8834-60-7

Edição: Março de 2017 
Preço: 18,87 euros | PVP: 20 euros
Formato: 21x26 cm [encadernado com tecido]
Número de páginas: 134 pp. a 4 cores (livro) + 32 pp. (folheto)

[Em colaboração com a Fundação Carmona e Costa]



Este livro foi publicado por ocasião da exposição Deita-te, levanta-te e agora deita-te, de Maria Capelo, realizada na Fundação Carmona e Costa, com curadoria de Nuno Faria, entre 08-02-2017 e 18-03-2017.

Haverá uma disciplina oriental do fazer e do ver nestas sucessivas coreografias da mão e do olho. Mas há também uma angústia ocidental no pensar o que se faz e o que se quer fazer: ao procurar obsessivamente o espaço e o tempo perdidos, ao procurá-los, através de numerosas soluções, noutros lugares e noutros tempos, Maria Capelo não recupera nem salva a pureza original desse tempo ou desse lugar, antes faz com que os seus fantasmas comuniquem com os dos outros tempos e lugares invadindo a sua memória e intimidade, e assombrando-as. [João Pinharanda]

quinta-feira, 23 de março de 2017

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terça-feira, 21 de março de 2017

Liberdade, Poesia, Amor




Ouvimos esta voz com o poema que nos traz e não sabemos se é a voz que diz o poema ou se é o poema que diz a voz. Esta coincidência do dizer e do dito, do som e do sentido, do corpo e do espírito, da poesia e da vida, do dia e da noite foi sempre o sinal de Mário Cesariny.
Já Breton escrevera: «Tudo leva a crer que existe um certo ponto do espírito donde a vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável, o que está em cima e o que está em baixo deixam de ser apercebidos contraditoriamente». Cesariny afirmava: «O único fim que eu persigo / é a fusão rebelde dos contrários».
É por isso que estamos aqui: não apenas para cumprir um acto de homenagem civil e cultural, mas acreditando que Cesariny reconhecia neste lugar onde a sua luz encontra a sua sombra, um sentido sagrado, dando a esta palavra a fundura mais funda e a liberdade mais livre. A morte é o que resta do sagrado e mesmo isso está a desaparecer, afirmava ele. E, às vezes, falava do osso sacro como de um segredo que é preciso guardar.
Cesariny era distante de tudo o que é oficial, convencional e vazio, mas aceitava os ritos que protegem os mitos. Foi assim que aceitou a Ordem da Liberdade, que lhe foi entregue em sua casa, numa tarde em que tudo se calava para o ouvir. Ele recebeu a Grã-Cruz, beijou-a e gritou: «A Santa Liberdade!». A liberdade era a sua medida desmedida, o rosto do seu rosto.
Nessa tarde, recordei uma outra tarde passada com Jorge Luis Borges, que acabava de receber a Ordem de Sant’Iago da Espada, que a sua cegueira o impedia de ver. Ele pediu-nos para lhe descrevermos as cores e as figuras do colar. A seguir, num gesto que foi repetindo, levou a mão ao frio do metal, exclamando: «Sant’Iago! Sant’Iago!» Falámos então daquela passagem de São Paulo que diz «Agora, vemos como num espelho, mas um dia veremos face a face». Borges falava e a nossa visão era o rascunho da sua cegueira. 
Sabemos que esta homenagem nunca conseguirá oficializar, normalizar, naturalizar, neutralizar Cesariny. Ao contrário, e por contraste, torna ainda mais nítido e invencível o seu escárnio selvagem, a fúria firme e feroz, o desassombro ímpio.
A sua vida foi vivida em nome da Liberdade, da Poesia e do Amor, de que os surrealistas fizeram a nova trilogia, juntando ao «transformar o mundo» o «mudar a vida». Em cada dia e em cada passo dele havia uma grande razão, aquela que num poema reclamava: «Falta por aqui uma grande razão / uma razão que não seja só uma palavra / ou um coração/ ou um meneio de cabeças após o regozijo / ou um risco na mão…» Cesariny procurava o ouro do tempo.
Agora, lembro. O Mário fala de Pascoaes, o velho da montanha, e conta o momento sagrado em que o conheceu. Fala de Lautréamont e de Rimbaud com palavras lentas e acesas. Fala de Artaud e a sua cara coincide com a dele. Já na rua, passa a velha que apanha o que encontra e ele faz-lhe perguntas que guiam respostas assombradas. O Mário ri e diz: «É a Vieira da Silva!» Agora, estamos nos Açores e ele toca piano, enquanto, da janela, vemos o mar erguer-se como no Moby-Dick, esse livro mágico e trágico, que lia e voltava a ler.
Estar com Cesariny era partir numa nave espacial e olhar cá para baixo com os olhos muito abertos. Havia nas suas mãos um fogo que, quando queimava, mostrava a tragédia, e, quando iluminava, fazia aparecer a comédia. Esse sentimento trágico e cómico da vida é o dos visionários do visível. Ele confessou um dia: «Para mim, só o momento da criação é linguagem, tudo o mais é baço, não diz, pertence ao sono das espécies, mesmo quando dormem inteligentemente.» Mas em todos os momentos dele havia criação. Nunca o ouvi dizer lugares-comuns, ideias mortas, frases feitas.
Na sua poesia, as palavras têm a exactidão cortante da ponta do diamante sobre o vidro, a velocidade densa dos grandes êxodos, o brilho obscuro dos olhos no amor. Na sua pintura, as cores levam o braço até à proximidade do mar e as formas são as do vento a abrir o portão do castelo.
Cesariny gostava de anarquistas, videntes, xamãs, usurpadores, hereges, piratas, incendiários e revoltosos. E de reis destronados, deuses abolidos, bruxas acossadas, fidalgos arruinados, heróis vencidos, náufragos salvos no último momento. Detestava tiranos, tiranetes, moralistas, hierarcas, burocratas, preopinantes, instalados, acomodados, calculistas, carreiristas, conformistas, cínicos, convencidos, contentinhos, coitadinhos.
Desses, ria com um riso que era sal insolúvel e tinha a grandeza escura da tempestade no Verão. O país dos risinhos, das piadinhas, das gracinhas, e das graçolas, não aguentava um riso tão livre: enorme e desassombrado. Não suportava esse riso cheio de amargura e desdém, de raiva e protesto. Nesse riso, passavam o riso antigo de Rabelais e o riso moderno de Artaud, o riso dos funâmbulos e das feiticeiras.
Num país em que o medo gerava cobardia e obediência, do medo dele nasciam coragem, insubmissão, subversão. No fim, estava ainda mais desencontrado com aquilo com que sempre se desencontrou: a vida pequenina, a vidinha de que falava o seu amigo Alexandre O’ Neill. E agora («O tecto está baixo», avisava-nos ele) só se fala da vidinha - e só a vidinha fala.
Afinal, é preciso repetir a pergunta de Hölderlin: «Para quê os poetas em tempos de indigência?» Afinal, é preciso repetir a resposta de Hölderlin: «O que permanece os poetas o fundam». E a resposta de Cesariny: «A palavra poética é a palavra verdadeira. É a única que diz.» Então, os poetas, se os houver, são para dizer o que ninguém diz, mesmo que ninguém oiça. Mas nesse dizer que ninguém ouve salva-se a honra de um tempo em que tudo se perde.
De Mário Cesariny, não basta afirmar que a sua poesia é das maiores do nosso século XX. Nem que a sua pintura é das mais originais desse tempo. É preciso reafirmar que, nele, pessoa, vida, morte, obra, atitude, ímpeto tinham a força que nos atira para um abismo de claridade.
Nestes 10 anos da sua morte, ouvir a voz de Cesariny é olhar o céu naquele momento em que o sol ainda não partiu e a lua já chegou.

José Manuel dos Santos
Tributo a Mário Cesariny, Cemitério dos Prazeres, Lisboa 8 de Dezembro de 2016


Fotografia: Túmulo de Mário Cesariny (pormenor), Cemitério dos Prazeres, Lisboa

segunda-feira, 20 de março de 2017

Mário Cesariny no Centro Cultural de Belém

                                                                                                                                 Fotografia de Susana Paiva

Tributo a Mário Cesariny nos 10 anos da sua morte
Centro Cultural de Belém - Sábado, 25 de Março de 2017 
ENTRADA LIVRE


14h-19h I Poema Colagem – Homenagem a Mário Cesariny. Vídeo-instalação (curta-metragem de 16’). Foyer Almada Negreiros.

14h30 I Casa Pia de Lisboa evoca Mário Cesariny. Alunos da Casa Pia de Lisboa lêem a poesia de Mário Cesariny e executam peças de Ravel, G. Händel e J.S. Bach. Sala Sophia de Mello Breyner Andresen.

15h I Maratona de leitura. Mário Cesariny dito por diferentes personalidades. Sala Fernando Pessoa.

15h30 I Conversa sobre Mário Cesariny. Com José Manuel dos Santos, João Soares, Ilda David, Manuel Rosa e Elísio Summavielle (Presidente do CCB). Sala Luís de Freitas Branco.

17h-18h30Autografia. Documentário sobre Mário Cesariny realizado por Miguel Gonçalves Mendes (90’). Sala Luís de Freitas Branco.

18hOrquestra Sinfónica Juvenil – Tributo a Mário Cesariny. Neste concerto ouve-se a música de que Cesariny gostava: a abertura de Tristão e Isolda, de Wagner, Concerto para Piano e Orquestra de Grieg, Valsas de Erik Satie. Em estreia mundial uma composição de Christopher Bochmann, feita a partir de versos de Cesariny. Direcção de Christopher Bochmann. Grande Auditório.


A exposição 
continua patente, até 16 de Abril de 2017, no Centro de Congressos e Reuniões, no Piso 1
Segunda a Sexta | 10:00 às 20:00 I Sábado, Domingo e feriados | 10:00 às 18:00
ENTRADA LIVRE

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno I Mariana Pinto dos Santos (ed.)



José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno
Edição de Mariana Pinto dos Santos

Textos de Ana Vasconcelos, Carlos Bártolo, Fernando Cabral Martins, Gustavo Rubim, Luís Trindade, Mariana Pinto dos Santos, Marta Soares, Sara Afonso Ferreira, Tiago Baptista, Luis Manuel Gaspar (cronologia).

ISBN: 978-989-8834-54-6

Edição: Fevereiro de 2017
Preço: 42,45 euros | PVP: 45 euros
Formato: 24x29 cm [brochado]
Número de páginas: 424

[ Em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian ]


Livro publicado por ocasião da exposição «José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno», de José de Almada Negreiros, com curadoria de Mariana Pinto dos Santos, realizada na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, de 3 de Fevereiro a 5 de Junho de 2017.

Na conferência O Desenho (1927), que Almada Negreiros profere em Madrid a propósito da sua exposição individual promovida por La Gaceta Literaria, […], dirá: «Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade.» Podendo o moderno ser visto como a adesão a um figurino, a uma moda, Almada afirma-o antes um modo de ser, que implica não só a recepção do tempo presente, mas a acção sobre ele, não a adesão ao moderno, mas fazer acontecê-lo. Este modernismo entendido enquanto acção constituinte da modernidade está estritamente ligado à ideia de vanguarda. [Mariana Pinto dos Santos]

Joaquim Rodrigo – A contínua reinvenção da pintura I Pedro Lapa


Joaquim Rodrigo – A contínua reinvenção da pintura

ISBN: 978-989-8834-37-9

Edição: Novembro de 2016
Preço: 23,58 euros | PVP: 25 euros
Formato: 16x22 cm [encadernado]
Número de páginas: 456

[ Em colaboração com o Casino da Póvoa ]


Este ensaio consiste num estudo compreensivo sobre a obra de Joaquim Rodrigo, pretende demonstrar como o artista realizou um projeto modernista atualizado e quase sempre vago em Portugal, reformulou os interditos da pintura moderna e a transformou numa linguagem narrativa sobre o mundo como testemunho e dela soube tirar consequências para uma nova formalização estrutural das suas convenções, o que possibilitou uma reinvenção da própria pintura a que a sua obra deu continuidade. O seu percurso tornou-se singular no quadro da história da arte ocidental do século XX. Apesar de uma receção crítica ímpar no curso das quatro décadas do seu desenvolvimento — significativa das múltiplas possibilidades interpretativas que cada perspetiva e geração encontrou nesta pintura —, ela não foi ainda confrontada na sua totalidade com a história da arte nacional e internacional, onde ganham relevância as especificidades dos seus posicionamentos, mesmo quando estes parecem arredados das problemáticas dominantes. [Pedro Lapa]


Pedro Lapa é professor convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e diretor artístico do Museu Colecção Berardo. Foi durante 11 anos diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, entre 2004 e 2008 foi curador da Ellipse Foundation e entre 2008 e 2010, professor convidado da Escola das Artes da Universidade Católica de Lisboa. Tem vários ensaios publicados e comissariou muitas exposições em todo o mundo, das quais se destacam as retrospetivas de Amadeo de Souza-Cardoso, Man Ray, Picabia ou as coletivas More Works About Buildings and Food, Disseminações, Cinco Pintores da Modernidade Portuguesa, Stan Douglas? The Sandman? e a antológica dedicada a James Coleman. Em 2001 foi o curador da representação portuguesa à Bienal de Veneza. O Grémio Literário atribuiu-lhe o Grande Prémio de 2008 e o Ministro da Cultura de França, Frédéric Mitterrand, concedeu-lhe a distinção de Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres, em 2010.

Mário Cesariny e O Virgem Negra ou A morte do autor e o nascimento do actor I Fernando Cabral Martins


Mário Cesariny e O Virgem Negra
ou A morte do autor e o nascimento do actor

ISBN: 978-989-8834-45-4

Edição: Novembro de 2016
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5x20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 152

[ Em colaboração com a Fundação Cupertino de Miranda ]



Este livro foi publicado por ocasião dos «X Encontros Mário Cesariny» realizados na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, de 24 a 26 de Novembro de 2016.

Cesariny, uma arte da montagem. Pessoa, uma arte do desdobramento. Um e outro têm um sistema que os organiza e fundamenta, o Surrealismo para um, a heteronímia para o outro. Mas o Surrealismo de Cesariny é pouco ortodoxo e muito ligado ao contexto próprio português. E a heteronímia presta-se demasiado a leituras delirantes, e, na verdade, acaba sendo semi-abandonada por Pessoa nos seus últimos anos. Um e outro estão entre os poucos realmente grandes poetas do século XX, e é intrigante que o mais novo deles tenha dirigido ao primeiro uma diatribe tão violenta como O Virgem Negra. A hipótese aqui desenvolvida, em duas séries de comentários, é que não é Pessoa que é atacado (nem as suas obras maiores), mas o mito que dele se criou, e, sobretudo, certos persistentes lugares-comuns da sua leitura.

Fernando Cabral Martins é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, onde ensina Estudos Pessoanos. Preparou diversas edições de Fernando Pessoa, e ainda de Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Alexandre O'Neill e Luiza Neto Jorge. Coordenou em 2008 um Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, com noventa colaboradores. Publicou antologias comentadas e livros de ensaio sobre literatura e pintura. Publicou também livros de ficção, entre eles Os Fantasmas de Lisboa, em 2012. Com Irene Freire Nunes, traduziu Boris Vian (1997) e os trovadores provençais (2014). Organiza, com Richard Zenith, uma colecção de antologias de Fernando Pessoa, «Pessoa Breve».

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Sérgio Dias Branco I Conferência e Lançamento (Convite)


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Seminário de Doutoramento em Arte Contemporânea
Conferência de Sérgio Dias Branco e lançamento do livro Por Dentro das Imagens
17 de Fevereiro de 2017, sexta-feira, às 14h00



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O Bem nas Coisas – A publicidade como discurso moral I Emanuele Coccia


O Bem nas Coisas – A publicidade como discurso moral

Tradução de Jorge Leandro Rosa

Edição de Pedro A.H. Paixão

ISBN: 978-989-8834-51-5

Edição: Dezembro de 2016
Preço: 16,98 euros | PVP: 18 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 184 (impressas a cores)


[ Em colaboração com a Fundação Carmona e Costa ]


O amor pelas coisas abre o reino das mercadorias. Esse amor é exibido em todas as dimensões do espaço público das nossas cidades, basta abrirmos «os olhos para que todo o espaço entre o nosso corpo e o horizonte seja uma única e infinita exposição de mercadorias». Ou talvez seja o inverso, talvez sejam as mercadorias — entidades misteriosas, como lembrava Marx — que abrem novas possibilidades para a expressão do amor, sendo a publicidade a sua proclamação e o seu conto moral. Nas palavras de Emanuel Coccia: «No presente livro tentei reconhecer, por detrás de um fenómeno invasivo e omnipresente, que foi quase exclusivamente descrito como produção de um impreciso mal social, os termos de uma moral positiva enquanto facto apoiado numa lógica de produção, de busca e de jouissance de um bem específico».

Para a apresentação de O Bem nas Coisas – A publicidade como discurso moral Emanuele Coccia veio a Portugal para o lançamento na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa.
Na Biblioteca de Serralves, no Porto, apresentou o livro e a conferência «What should we learn from Advertising? The Moral Iconography of the Contemporary World». No Pequeno Auditório da Culturgest em Lisboa apresentou o livro e a conferência «Life in Images. Advertising and the Invention of Lifestyle».

O Bem nas Coisas é o IV volume da colecção «Disciplina sem nome», dirigida por Pedro A.H. Paixão para a Documenta — um projecto editorial sobre pensamento e teoria de desenho com o apoio da Fundação Carmona e Costa.

Emanuele Coccia (1976) é Professor Auxiliar na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Das suas publicações, traduzidas em diversas línguas, destacam-se A Vida Sensível (2010), Le Bien dans les choses (2013) e La Vie des plantes (2016). Foi co-editor com Giorgio Agamben da antologia monumental Angeli. Ebraismo Cristianesimo Islam (2009).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Julião Sarmento: O Artista como ele é – Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro


Julião Sarmento: O Artista como ele é – 
Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro

ISBN: 978-989-8834-52-2

Edição: Dezembro de 2016
Preço: 11,32 euros | PVP: 12 euros
Formato: 12 x 17 cm [brochado]
Número de páginas: 168

[ Em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar ]


Julião Sarmento: O Artista como ele é  Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro insere-se na colecção Cadernos do Atelier-Museu Júlio Pomar e dá seguimento ao projecto de entrevistas que se iniciou com Júlio Pomar: O Artista Fala… [2014], continuou com Rui Chafes: Sob a pele... [2015], surgindo agora a propósito da exposição Void*: Júlio Pomar & Julião Sarmento.
As entrevistas são feitas por ocasião do programa de exposições do Atelier-Museu que cruza a obra do pintor com artistas convidados, mostrando novas relações daquele com a contemporaneidade.
Esta publicação […] poderá servir para o leitor acompanhar e desvendar alguns dos processos mais exigentes e enigmáticos do mundo da arte, nomeadamente a criação artística e a concepção de exposições. Embora estes domínios sejam cada vez mais especializados, requerendo práticas, metodologias e saberes próprios, procurou aqui dar-se conta do processo de preparação da exposição: passando pela concepção, discussão de ideias a ela subjacentes, procura e selecção das obras, decisões de montagem e opções de materialização da exposição, bem como os avanços e recuos decorrentes do trabalho.
As conversas abrangeram questões relativas à vida pessoal, ao percurso profissional e aos posicionamentos ideológicos do autor, às conquistas e dificuldades pessoais no domínio específico das artes, e ainda às circunstâncias sociopolíticas que o mesmo viveu, ajudando a transformar ou sendo constrangido por elas.
As pequenas narrativas da vida do artista, aqui contadas pelo mesmo, oferecem-se assim como fontes históricas, de contexto, memórias a partir das quais se inferem questões relativas aos sistemas artísticos e sociopolíticos, da época e de hoje, muitas vezes revelando e pondo em cima da mesa nomes, protagonistas decisivos, que foram esquecidos ou ficaram submersos pelo tempo. [Sara Antónia Matos]

Julião Sarmento [Lisboa, 1948], artista plástico, é autor de uma obra multifacetada, tendo iniciado actividade nos anos de 1970, enquadrando-se nas práticas artísticas mais avançadas desse período. Na década seguinte iria afirmar-se como um dos artistas plásticos portugueses com maior projecção nacional e internacional, expondo em galerias e museus de grande prestígio.

Escritos de Artista em Portugal – História de um esquecimento I Catarina Rosendo


Escritos de Artista em Portugal – História de um esquecimento

ISBN: 978-989-8834-41-6

Edição: Dezembro de 2016
Preço: 16,04 euros | PVP: 17 euros
Formato: 16 x 22 cm [brochado]
Número de páginas: 240


É possível repensar a história da arte portuguesa do século XX através do recurso a fontes documentais até aqui negligenciadas pela historiografia? Este livro procura demonstrar isso mesmo, pois entende, de forma pioneira em Portugal, os escritos de artista como elementos de formação do pensamento teórico sobre as artes visuais no século XX. Na base deste estudo, está um levantamento inédito dos artistas portugueses que se dedicaram a escrever sobre as suas motivações e interrogações acerca da arte e do papel desta nos modos de expressão subjectivos e nos contextos sociais de que faz parte, e uma análise historiografia novecentista e os motivos do «esquecimento» dos escritos de artista na escrita da história da arte moderna portuguesa.
Os protagonistas deste livro são Diogo de Macedo, António Dacosta, José de Almada Negreiros, Júlio Pomar e Nikias Skapinakis, artistas sobre cuja produção escrita se reflecte; e Aarão de Lacerda, João Barreira, Reynaldo dos Santos e, sobretudo, José-Augusto França, autores cujas construções historiográficas se estudam à luz das novas fontes documentais trazidas para o debate acerca da construção da modernidade artística portuguesa. Modernismo, academismo, artes decorativas, surrealismo, abstracção, realismo, figuração, o estatuto do artista e a função do Estado na promoção das artes são alguns dos temas através dos quais se aprofundam algumas das questões discutidas num longo período que se estende da década de 1920 à década de 1970 e que tem o seu ponto nodal nos anos do pós-guerra.

Catarina Rosendo nasceu em Lisboa, 1972. Historiadora da arte. Trabalha no âmbito da arte contemporânea, através de projectos curatoriais, edições, inventariação e organização de espólios artísticos, seminários, cinema documental, membro de júris, entre outros. Investigadora, desde 2006, do Instituto de História da Arte (FCSH-UNL). Desenvolve, desde 2014, investigação curatorial para a Colecção do Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves.
Integrou, entre 1995-2006, o Serviço de Exposições da Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea (Almada). Co-autora do filme documentário sobre o escultor Alberto Carneiro, Dificilmente o que habita perto da origem abandona o lugar (2008). Autora de livros e catálogos de exposição e de ensaios para catálogos de exposição, actas de congressos e imprensa. Prémio José de Figueiredo [ex aequo], Academia Nacional de Belas-Artes, 2008, com o livro Alberto Carneiro, os primeiros anos, 1963-1975 (2007).

Central Tejo – Uma biografia (1909-1990). Volume 1 I Luís Cruz, Pires Barbosa, Fernando Faria


Central Tejo – Uma biografia
(1909-1990). Volume I
Luís Cruz, Pires Barbosa, Fernando Faria

Prefácio de Jorge Custódio

ISBN: 978-989-8834-49-2

Edição: Novembro de 2016
Preço: 37,74 euros | PVP: 40 euros
Formato: 24 x 29 cm [encadernado]
Número de páginas: 384

[ Em colaboração com a Fundação EDP ]


Este livro é o primeiro de três volumes de uma biografia. Essa biografia conta a vida da Central Tejo. Longa, variada e dinâmica, é uma vida feita de várias vidas.
A primeira (1909-1990), a que corresponde este Volume I, é a vida da Fábrica da Electricidade. É uma vida de estórias e de histórias – história tecnológica, história económica, história social. Se hoje não imaginamos a nossa vida sem electricidade, pensemos o que a chegada da electricidade representou para a vida que a não tinha antes. Foi como se o mundo por ela iluminado se tivesse encantado, transfigurado, magnificado, tornando-se outro. A «Ode Triunfal», escrita, em 1914, por Fernando Pessoa através de Álvaro de Campos, é um grandioso testemunho desse relâmpago de realidade que a electricidade foi, dando à voz febril do poeta um altivo ímpeto futurista.
[…]
Ao contar a vida da Central Tejo, esta obra mostra-nos essa vida a ir ao encontro da vida das pessoas. É, por isso, que, neste lugar e nestes edifícios, os visitantes procuram uma descoberta que se parece com um reconhecimento.
A ligação da Central Tejo à comunidade, que, por mandato da empresa que a criou, a Fundação EDP, todos os dias renova e revigora, é, para nós, uma inspiração, uma responsabilidade, um desafio.
Esta biografia é uma viagem no tempo deste espaço e no espaço deste tempo. Obra de investigação histórica, colige, usa e interpreta fontes documentais e testemunhais. Para o fazer, convoca várias especialidades e disciplinas. É, por isso, que Central Tejo – Uma biografia inscreve a imagem de uma Fundação que obtém de uma grande empresa o que restitui à sociedade, entregando à criatividade e à imaginação a memória que recebe e assim acrescenta. [Fundação EDP]

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O Caso Kurílov I Irène Némirowsky


O Caso Kurílov
Irène Némirowsky

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8833-15-0

Edição: Novembro de 2016
Preço: 14,15 euros | PVP: 15 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 176


Schopenhauer: «Se conseguires descer até ao
coração do mais detestado dos teus inimigos,
tu próprio ali te encontrarás.»



Neste livro sobressai uma curiosa história de coabitação entre o assassino e a sua vítima. Lev M…, assumindo uma falsa identidade de médico, introduz-se nos mais íntimos círculos de um feroz ditador cuja eliminação física é preconizada pelos comités revolucionários de inspiração comunista. Mas o conhecimento profundo da natureza humana revela-se o pior dos inimigos da pureza revolucionária. Apesar de Kurílov ser visto por Lev M… como «o imbecil», «o cachalote», o «déspota frio», sentimentos de obscura piedade acabarão por fazê-lo fraquejar perante aquele enorme declínio do corpo roído por um cancro do fígado, aquela erosão, aquele doloroso crepúsculo de poder. E a Lev M…, quando escreve estas memórias e ele próprio já tem no seu passado um período de vida em que praticou, ao serviço da revolução socialista, actos de crueldade tão fria como a do ditador czarista, só lhe resta uma consciência melancólica de derradeiros dias, aquela que o sol ameno de Nice mal consegue iluminar. [Aníbal Fernandes]
O Caso Kurílov [1933] é a sexta obra publicada de Irène Némirowsky [Kiev, 11 de Fevereiro de 1903-Auschwitz, 17 de Agosto de 1942.], escritora de língua francesa. Entre os seus romances mais conhecidos destacam-se David Golder (1929), já publicado na Sistema Solar, Le Bal, La Proie (1938), Les chiens et les loups (1940) e Suite française, obra póstuma vencedora do prémio literário Renaudot de 2004.

A Viúva do Enforcado I Camilo Castelo Branco


A Viúva do Enforcado
Camilo Castelo Branco

ISBN: 978-989-8566-81-2

Edição: Novembro de 2016
Preço: 13,21 euros | PVP: 14 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado, com badanas]
Número de páginas: 144


— Olha, se eu dava a minha filha a esse Herodes! Credo!
Que vá casar com o diabo que o leve, Deus me perdoe!


«Teresa amava-o ardentemente. Aquele rapaz era, com efeito, o que devera ter sido o artista de Guimarães para que as duas almas se identificassem. António Maria era arrojado nas aspirações e invejava a morte duns heróis revolucionários, cuja história contava à viúva entusiasta.
Dramatizava coisas insignificantes com atitudes trágicas. Declamava com o timbre metálico de pulmões que se ensaiavam para o fôlego comprido das pugnas parlamentares. Sabia o gesto e a palavra atroadora de Desmoulins e Mirabeau.
Era um homem antípoda do defunto Guilherme. Não tinha cismas, arroubos, nem enlevos pelo azul dos céus além. O seu amor manifestava-se em convulsões assustadoras, e às vezes ajoelhava-se aos pés de Teresa com a humildade de uma criança, e não ousava beijar-lhe a barra do vestido. Se lhe apertava, porém, a mão, os seus dedos fincavam-se como garra do açor, e o sangue latejava-lhe nas falanges. Dizia que tinha vontade de afogá-la nas suas lágrimas, e morrer. Chamava-lhe a sua redentora, porque já não pensava em estrangular os tiranos da pátria, desde que todo o seu futuro estava no amor ou no des prezo da única dominadora do seu orgulho. Se Teresa um dia lhe desse o seu destino, queria ir com ela para a América inglesa, para o coração do mundo onde pulsa a liberdade humana. Se lá a não encontrassem, iriam procurá-la no deserto; à sombra de uma palmeira fariam uma cabana, e no seio de um areal cavariam a sepultura de ambos. Este homem tinha lido as melhores asneiras de 1829: a Adriana de Brianville e Amélia ou os efeitos da sensibilidade; e conhecia Atalá, traduzido em 1820, e as Aventuras do último abencerragem, em 1828. Possuía literatura bastante para levar a peçonha dos romances ao serralho de Mahmoud II.» [Camilo Castelo Branco]

Camilo Castelo Branco [Lisboa, 1825–Vila Nova de Famalicão, 1890] dominou a segunda geração romântica e pode considerar-se como seu maior representante. Dentro da sua vastíssima obra, o género mais importante é a novela e o conto, género em que criou algumas obras-primas e com as quais preencheu o melhor de vários volumes.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Fotogramas – Ensaios sobre fotografia I Margarida Medeiros (Coord. e Org.)


Fotogramas – Ensaios sobre fotografia

Coordenação e organização de Margarida Medeiros

Textos de António Fernando Cascais, Filipe Figueiredo, Luís Mendonça, Margarida Medeiros, Maria Augusta Babo, Maria Irene Aparício, Maria João Baltazar e Fátima Pombo, Miguel Mesquita Duarte, Nélio Conceição, Siegfried Kracauer, Susana Lourenço Marques, Susana S. Martins, Teresa Castro, Victor dos Reis, Victor Flores.

ISBN: 978-989-8833-01-3

Edição: Outubro de 2016
Preço: 16,04 euros | PVP: 17 euros
Formato: 16 x 22 cm [brochado]
Número de páginas: 224

A história da fotografia oscilou sempre entre o assumir do valor documental da imagem, enquanto indexicalidade pura, e a forma como diferentes épocas se pretenderam demarcar dela, a partir do dispositivo da Arte mas também do jogo e da experiência lúdica que a fotografia propicia desde o seu início. Devido ao seu carácter de representação «pobre» (Dominique Baqué 1996), mas, simultaneamente, face à incontornável vizinhança que estabelecia com a pintura, foi abordada simultaneamente como objecto industrial e como forma de arte. A sua história e ontologia oscilaram assim entre o formalismo oriundo da História da Arte e uma visão mais populista que, ao pretender abranger toda a transversalidade cultural da fotografia (todos os seus géneros) procurou também generalizar sobre a sua natureza artística.
[…]
O que hoje se constata, com a investigação das últimas duas décadas e para a qual os ensaios deste livro pretendem contribuir, é que a História da Fotografia não é una, e por essa razão, fundamental à sua compreensão, nunca poderá ser UMA.
Este livro, saído de um colóquio realizado há já três anos, é o fruto dessa interrogação sobre a ontologia do médium numa era já qualificada por pós-fotografia, centrando-se na prática teórica de investigadores portugueses que têm trabalhado sobre arquivos institucionais, fotografia artística, edições fotográficas, produzindo ensaios que vêm, justamente, contribuir para uma visão dispersa, contraditória, fragmentada, da história da fotografia. [Margarida Medeiros, 2016]

Pre-Apocalypse Now – Diálogo com Maria João Cantinho sobre política, estética e filosofia I Sousa Dias



Pre-Apocalypse Now – Diálogo com Maria João Cantinho sobre política, estética e filosofia
Sousa Dias

ISBN: 978-989-8834-42-3

Edição: Novembro de 2016
Preço: 10,38 euros | PVP: 11 euros
Formato: 14,5 x 20,5 cm [brochado]
Número de páginas: 88


Vivemos numa época de amálgamas espúrias, que confunde pensamento e comunicação, crítica e marketing, teoria e opinião de «especialista», pensador e intelectual mediático ou jornalista cultural. Época de sobre-informação mas, paradoxalmente, época antipensamento, de extravio generalizado do sentido do pensamento, de refluxo do pensamento sob todas as suas formas. E, não por acaso ou por coincidência, época de uma extrema desumanização do humano, da dessubstancialização da subjectividade humana, como diz Žižek, do mais dócil e cobarde corpo social, como diz Agamben.
Uma catástrofe do pensamento, de que o «fim das ideologias» é uma reverberação, e com ela um desastre do humano, desastre absoluto no qual estaremos talvez só a entrar, um pré-apocalipse espiritual para o qual não se vislumbra saída. Escreve noutro texto Agamben que, enquanto o animal pode a sua potência, variável de espécie para espécie mas definida de uma vez por todas pela sua natureza ou «vocação biológica», o homem, desprovido de natureza, é aquele ser que pode a sua própria impotência. «A grandeza do seu poder mede-se pelo abismo da sua impotência». A saída da presente situação do humano, a existir, passará necessariamente pelo pensamento, quer dizer, pelo poder ilimitado, desmedido, dessa impotência do homem.

Sousa Dias nasceu no Porto em 1956. Professor. Publicou, entre outros livros, Lógica do acontecimento — introdução à filosofia de Deleuze, O Que é Poesia?, Grandeza de Marx — por uma política do impossível, Žižek, Marx & Beckett — e a democracia por vir e O Riso de Mozart — música pintura cinema literatura.